
Em abril, operação apreendeu metralhadora. Agora, 100 munições dela estavam com traficante preso
Um homem foi preso acusado de tráfico interestadual de drogas e com cerca de 100 munições de metralhadora .30, armamento com capacidade para derrubar até aviões.
A prisão foi feita durante operação da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai), da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP). O membro da quadrilha que atua com tráfico a partir de Tabatinga (a 1.108 quilômetros de Manaus) será apresentado neste sábado (9), na Delegacia Geral.
Operação Banzeiro
A prisão é parte da Operação Banzeiro e ocorre dois meses após a desarticulação da quadrilha que fazia o transporte e comercialização de entorpecentes para Manaus e outros Estados Brasileiros.
No dia 5 de abril, 13 integrantes da organização criminosa foram presos em diversas zonas de Manaus, sendo duas delas em presídios. O montante de R$ 2,2 milhões em bens e dinheiro depositados em contas foi bloqueado, à época.
Metralhadora apreendida
Na ocasião, os policiais também apreenderam dois revólveres calibre 38, uma pistola 380 com numeração raspada, um rifle calibre 44, diversas munições, além de uma metralhadora ponto 30 – armamento de guerra utilizado para abater aeronaves e de uso restrito das Forças Armadas. Dessa vez, foram apreendidas as munições desse armamento e mais um membro da quadrilha.
Da quadrilha, a ação policial já havia apreendido um veículo Punto, uma picape S10, uma outra Montana, uma lancha com motor 200HP, além de outros veículos, embarcações, quatro motocicletas e a quantia de R$ 25 mil em espécie.

Arma de guerra, cujo alvo vão desde destruir veículos, muros e até abater aviões, é do narcotraficante “Tio Patinha”, que até fez foto com a metralhadora. Ele está foragido e hoje integra o Comando Vermelho, sendo o braço armado de Mano G. Foto: Divulgação
Perigoso e sempre preso com armamento de grosso calibre, o segundo narcotraficante abaixo de Gelson Carnaúba, o Mano G, o conhecido “Tio Patinhas”, Clemilson dos Santos Farias, 38, é o dono da metralhadora .30 de uso exclusivo das Forças Armadas apreendida durante a Operação Banzeiro, em abril.
Agora, a polícia apreendeu 100 munições da arma avaliada em torno de R$ 50 ou até R$ 100 mil. Ela é uma arma de guerra e é conhecida pelo seu poder de anti-matéria, o que significa que não tem como alvo pessoas, mas sim objetos, desde veículos até promover destruição atrás de muros e contenções leves, além de abater aviões, quando equipada com suporte adequado.
“Tio Patinhas” está foragido da Justiça e hoje é considerado o homem braço forte de Mano G, ambos no Comando Vermelho (CV), segundo informações de setores da inteligência e repressão ao crime organizado. Carnaúba, um dos braços mais fracos da facção criminosa Família do Norte (FDN), hoje está mais ligado ao outro comando.
Foto posada
Em fotos obtidas pelo Portal Marcos Santos, Clemilson aparece posando ao lado da metralhadora apreendida. A arma foi um dos alvos da Operação Banzeiro, deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), por meio da Secretaria Executiva-Adjunta de Inteligência (Seai), Polícia Civil, Polícia Militar e Secretaria Executiva-Adjunta de Operações (Seaop).
Nascido em 10 de maio de 1978, “Tio Patinhas” é natural de Novo Airão e responde a três processos no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), um por tráfico, uma por roubo e uma de pena restritiva de liberdade. Clemilson está foragido desde 2015.

Sítio que seria de propriedade de “Tio Patinhas”, onde ele foi preso em 2015
Em 2015
Com 15 bananas de dinamites, 1 fuzil, drogas e uma escopeta calibre 12, “Tio Patinhas” foi preso em maio de 2015, num sítio no ramal do Pau Rosa, KM 21 da BR-174 (Manaus-Boa Vista).
O sítio em que foram encontrados os materiais servia como base para o grupo de criminosos formado por Erivelton da Silva Medeiros, 19, Rodrigo Alves Gaia, 21, Thiago Alves Abrantes, 23, Darlisson de Souza Durães, 26, Denis de Souza Matos, 26, Bruno Nogueira Barbosa, 27 e Clemilson, considerado na época o braço armado do narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco.
Conforme as investigações, o sítio, uma propriedade avaliada em torno de R$ 1 milhão, pertencia a Clemilson, de acordo com equipes da Narcóticos (Denarc) e de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).
Os presos no sítio seriam integrantes de um grupo especializado em extermínio, recebendo ordem de João Branco, e sendo responsáveis por uma série de homicídios.

Polícia ainda procura suspeitos de envolvimento na chacina no campo do Compensão, que terminou com seis mortes. Crime tem ligação entre disputa pelo comando do tráfico entre Mano G e Zé Roberto, da FDN. Foto: Arquivo
Em mais um episódio da disputa pelo comando do tráfico de drogas, envolvendo homens ligados aos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), ocorreu no Carnaval, com a tentativa de invasão da chamada bocada do “Tio Patinhas”.
Fuzil
A polícia registrou tiros, inclusive de fuzil, na bocada do “Tio Patinhas”, no Mutirão, na zona Norte, nas proximidades da Pemaza. Ninguém foi preso ou ficou ferido.
O operador de Mano G, que já foi preso com cinco pistolas, um fuzil e bananas de dinamite, está em liberdade. Mora fora de Manaus e, usando o WhatsApp, dá as ordens para o grupo de Carnaúba. Ele foi citado como um dos envolvidos na chacina da Compensa, ocorrida em dezembro do ano passado.
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