
No Twitter, onde tem mais de 130 mil seguidores, general questiona quem está preocupado apenas com os interesses pessoais acima dos interesses da Nação. Foto: Divulgação
Com os holofotes do País voltados hoje para o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou uma voz do outro lado da fronteira. Nesta noite de terça-feira (3), o comandante geral do Exército, general Eduardo Villas Boas, usou a rede social Twitter para declarar repúdio à impunidade no país.
Em duas mensagens postadas na rede social, onde tem milhares de seguidores, o general diz que a Constituição deve ser respeitada e que o Exército compartilha dos anseios da sociedade.
“Asseguro à Nação que o Exército brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais. Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”, disse o comandante nas postagens.
O movimento de militares brasileiros de volta à arena política está mais forte do que nunca, ao lado de grupos de direita. O general não citou o caso Lula textualmente, nem precisava. A manifestação do comandante geral da ativa sobre um assunto que diz respeito à Justiça, algo incomum em democracias, acrescenta um novo e inédito — ao menos nos últimos 30 anos pós-redemocratização — ingrediente ao furacão político vivido pelo país desde 2013.
As mensagens do general, que possui 130 mil seguidores e é considerado um grande comunicador, viralizaram, foram curtidas e compartilhadas por milhares de pessoas. E geraram reação em cadeia de outros de militares de alta patente.

O mesmo raciocínio da mensagem de ontem está num comunicado oficial do comandante, o número 5, de 30 de março, onde ele diz que “a história tem mostrado que o povo brasileiro busca, nas Instituições Brasileiras o apoio necessário para ao seu desenvolvimento social, político e econômico, tendo, no Exército, o guardião dos valores e dos
princípios da moralidade e da ética”.
No texto, divulgado pelo Comando Militar da Amazônia (CMA), Villas Boas completa que tem tentado “apresentar a minha convicção de que todos os esforços devem ser feitos para banir a corrupção e a impunidade do cotidiano brasileiro. Essa crença vem da esperança de cada cidadão nas ações de outras Instituições de Estado, por meio de ações de combate à corrupção, e na confiabilidade em nosso Exército”.
A mensagem termina com as operações do Exército Brasileiro em diversos frontes, de Norte a Sul do País. Na Amazônia, por exemplo, cita o patrulhamento na fronteira e o gerenciamento da crise imigratória de venezuelanos, os quais ingressam no Brasil pela cidade de Pacaraima (RR), além de citar o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), de combate aos crimes transfronteiriços.
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