Quinta-feira, 21 de junho de 2018

Neoplasma social

Delegado Guilherme Torres

Delegado Guilherme Torres

​De início, arrisco dizer, sem medo de errar: Todas as organizações criminosas, com exceção daquelas do colarinho branco, nasceram de dentro do sistema prisional. A frase pode parecer paradoxal, mas não é.

Em uma rápida digressão ao ano de 1970, um fenômeno mudaria drasticamente o cenário da Segurança Pública, no Brasil e no mundo, germinava em meio à beleza natural de Ilha Grande, Estado do Rio de Janeiro.

Apelidado de “Caldeirão do Diabo”, o Instituto Penal Cândido Mendes, palco de constantes fugas em massa, misturava, sem individualização de pena, todos os encarcerados do sistema. Desta junção, surgem os primeiros passos de um dos principais neoplasmas sociais, as Organizações Criminosas.

Orientados por presos políticos, presos comuns passaram a agir com disciplina, hierarquia, divisão de tarefas e organização. Cria-se aqui, a primeira Organização Criminosa do Brasil, o Comando Vermelho.

Como se nota, o fenômeno emerge de dentro do Sistema Prisional para fora. É instituída também a “cebola”, taxa mensal que o criminoso, dentro ou fora do Sistema, paga ao Comando da Organização, tornando-se, assim, um negócio lucrativo para as lideranças.

Em 2 de Outubro de 1992, após o episódio que ficou conhecido como “Massacre do Carandirú”, onde 111 (cento e onze) detentos morreram na Casa de Detenção de São Paulo, a massa carcerária se reuniu e, em represália ao Sistema, inspirados nos ideais do Comando Vermelho, criaram uma segunda Organização Criminosa, o Primeiro Comando da Capital.

Não se pode perder da memória, semelhante ao que aconteceu no Presídio de Ilha Grande, o fenômeno novamente emerge de dentro do Sistema Prisional, para fora. Como não poderia ser diferente, no Estado do Amazonas, no ano de 2006, de dentro dos pavilhões da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, ergue-se a facção Família do Norte.

Como se percebe, a crise do Sistema Prisional é um fator sistemático e segue um padrão, o que demonstra que a política do Sistema Prisional nacional necessita urgentemente mudar a forma de atuação. Nas palavras do renomado Albert Einstein: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

* Guilherme Torres é delegado e diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

4 comentários para “Neoplasma social

  1. Marcelo disse:

    A população carcerária do país alcança pouco mais de 600 mil pessoas, em sua maioria jovem, escassos anos de estudo e informação, oriunda de estrato social que carece de infraestrutura que promova habitação digna, cultura, lazer, esporte, autoconhecimento, saúde física e emocional, qualificação profissional, entre outros. Ressalte-se ainda que o processo de ressocialização daquele que cumpriu a pena é extremamente difícil, haja vista a dificuldade de se inserir no mercado de trabalho e conviver em sociedade. Não obstante a este quadro de dificuldades, há sinais de mudanças, felizmente, em que Governos, o Poder Judiciário, agentes do Sistema de Segurança Pública, voluntários nas comunidades, Ongs, sensíveis ao problema, agem com objetivo de impedir que crianças, jovens e adultos sejam vítimas da criminalidade.

  2. PLÍNIO MENDES#ESTAMOS JUNTOS NA LUTA# disse:

    A lei 9.034/1995, que trata do crime organizado, traz os principais meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS. Há vários instrumentos elencados como a ação controlada, o acesso a dados, a INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL e a INFILTRAÇÃO POLICIAL. Há a necessidade cada vez maior de TÉCNICAS MODERNAS de inteligência, porém, ainda existem problemas vinculados ao GERENCIAMENTO da INFORMAÇÃO obtidas, com possibilidades de perda de DADOS. Propõem-se a maior INTEGRAÇÃO entre os orgãos de SEGURANÇA PÚBLICA, com a MITIGAÇÃO da EXACERBADA compartimentação, e a COMUNICAÇÃO em tempo real de POSSÍVEIS AMEAÇAS AO ESTADO a fim de neutralizar as AÇÕES DE ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS.

  3. CRISTOVÃO BATISTA TROVÃO FILHO disse:

    não é só a politica prisional que não funciona! é a politica no geral que esta no mais absoluto descrédito, a própria justiça não é confiável, o que falar da justiça no Amazonas que tem um dono, este dono se chama Valdemir Santana presidente do sindicato dos metalúrgicos do Amazonas. Esta homem compra todo mundo, quer prova disto? entra no site do TRT 11 e vejam quantos processos este homem tem contra ele as inúmeras provas e as “sentenças” a seu favor, infelizmente isto é Brasil.

  4. Marcio disse:

    Em quanto nao mudar a lei a sociedade vai pinta e borda principalmente esse vermes que sao as bandidagens o vagabundo quando e flagrantiado sabe que vai come e beber de graca tem que akabar com essas leis penais aqui no Brazil e investor principalmente na educacao bastante o povo ta disorientado com tanto vechame politico esse povo que de frente do nosso pais agora obsenhor delegado esta de parabens com essa reflexicao do sistema casserario brasileiro de bosta

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