O suposto líder da chacina da Compensa, Andrei de Souza Guabiraba, 35, conhecido como “Buiú”, foi preso nesta segunda (18/12). Ele teve a prisão temporária, por 30 dias, decretada pelo juiz Caio Catunda e não reagiu ao ser preso. A polícia agora procura os outros homens que participaram dos seis assassinatos e feriram 15. A chacina ocorreu na terça (12/12), no Centro Social Urbano (CSU) da Compensa.
As duas picapes que fecharam o trânsito antes e depois do CSU já estão apreendidas. Elas foram o fio da meada que levou a Polícia a desvendar a trama. Sabe-se agora que os atiradores mandaram o jogadores do T5 Jamaica e Compensão perfilarem no muro e abriram fogo. A confusão aconteceu quando supostos seguranças de traficantes, que disputavam a partida armados, tentaram fugir atirando.
Buiú cumpre pena em regime semiaberto. Ele arrancou a tornozeleira eletrônica e estava sem aparecer há meses. A apresentação deveria ser diária. Diante do cerco policial, ele se apresentou novamente sábado (16/12), atualizou os dados e fugiu.
A apresentação se deu no regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). É lá que Buiú deveria se apresentar diariamente. O delegado de Homicídios e Sequestros, Juan Carlos de Souza Valério, 36, ainda tentou ouvi-lo, mas ele tinha escapado.
Desde sábado, uma nova caçada foi empreendida. Somente nesta segunda, porém, o suposto mentor foi encontrado e preso. Após a prisão, a Polícia Civil realizou busca e apreensões na casa de Andrei na Praça 14, zona centro-sul, e em uma residência alugada recentemente pelo suspeito na zona leste.
Ao ser preso nesta segunda-feira, Andrei portava cerca de R$ 1,6 mil em espécie, em notas de pequeno valor. Andrei está preso em local sigiloso, por medida de segurança.
Buiú, ao se apresentar, revelou aos policiais que teme voltar ao regime fechado. Só o fato de ter arrancado a tornozeleira, porém, deve levá-lo à regressão de regime. O problema é que o presídio fechado é considerado reduto da FDN da Compensa, ligada a Zé Roberto, inimigo de Gelson Carnaúba, para quem Buiú trabalha. Está lá grande parte da facção das vítimas do tiroteio que ele protagonizou.
Andrei já teve outras seis passagens pela polícia, sendo duas por tráfico de drogas, uma por roubo, uma por desacato com posse de entorpecente e resistência, uma por ameaça e uma por posse de entorpecente.
A polícia já tem indícios que levam aos “soldados”, os outros integrantes do grupo responsável pelo tiroteio na Compensa. “Eles deixaram rastros ao longo da ação. Já sabemos que apenas quatro, mais o Buiú, atiraram naquele dia. Os outros foram para dar apoio”, disse uma fonte do Portal.
De acordo com o governador em exercício e secretário de Segurança Pública, Bosco Saraiva, os trabalhos prosseguem com o empenho integral de todos os membros da força-tarefa, que envolve a Seai, a Delegacia de Homicídios e Sequestros, Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Delegacia Especializada de Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd) e Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV).
“Essa é uma prisão necessária dentro do processo de elucidação do caso. Nossos policiais estão investigando, fazendo o trabalho de inteligência, ouvindo testemunhas para chegar até os suspeitos e prender os autores do crime, para tirá-los de circulação”, disse Saraiva.
De acordo com o delegado geral da Polícia Civil, Mariolino Brito, o indicativo das investigações é de que houve um racha na facção criminosa conhecida como FDN, que começou com o assassinato do traficante Ramerson Albuquerque de Oliveira, 33, o ‘Gogonha’, morto no dia 4 de novembro e suspeito de atuar no tráfico de drogas na zona centro-sul de Manaus.
De acordo com o titular da Delegacia de Homicídios, Juan Valério, Andrei não está colaborando com o trabalho policial e nega participação no fato. As investigações apontam que as mortes têm relação com o assassinato de George Alberto Barreto, 30, ex-presidiário que foi morto após perseguição na tarde de terça-feira (12/12), horas antes dos crimes no bairro Compensa. Também conhecido como “Buiu”, George teria sido morto, por engano, no lugar de Andrei.
“Andrei é um dos principais suspeitos. Vamos encaminhar todas as provas coletadas no inquérito policial à Justiça. Temos análise de inteligência e testemunhos da possível participação. Até pela questão do assassinato que houve, que teria sido o estopim, foi averiguado também a movimentação dele e isso nos deu o lastro necessário para pedir a prisão temporária, para que possamos obter mais provas”, disse Juan Valério.

Líder da chacina da Compensa foi ao semiaberto e depois fugiu, sábado, mas foi recapturado nesta segunda