
Gelson Lima Carnaúba, o “Mano G”, está preso em Catanduvas e seria julgado hoje pela chacina o Compaj de 2002. Foto: Arquivo
Diretamente envolvido nas duas maiores chacinas ocorridas no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), o traficante e um dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), Gelson Lima Carnaúba, o “Mano G”, teve o julgamento marcado para esta sexta-feira (1º), adiado a pedido do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
A previsão agora é que o julgamento ocorra somente em maio de 2018. Detido desde 2015 no presídio federal de Catanduvas (PR), seria um alto risco transportar “Mano G” para depor em Manaus segundo o Depen.
Há uma nova solicitação para que Carnaúba, assim como outro chefe da FDN, o narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, seja julgado por meio de videoconferência, em Catanduvas mesmo.
O juiz titular da 2ª Vara Criminal, Anésio Pinheiro, suspendeu o julgamento de hoje por não haver como manter a audiência por videoconferência e remarcou a data. A legislação determina que corra um prazo de 10 dias para que o sistema seja preparado.
O julgamento em pauta diz respeito à chacina no Compaj de 2002, onde 14 pessoas foram assassinadas. Os réus são Carnaúba, Marcos Paulo da Cruz e Elmar Libório Carneiro. Esse é o segundo julgamento do crime.
No primeiro julgamento, que aconteceu em 2011, Carnaúba foi condenado a 120 anos prisão, os demais a 100 anos, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça Estado do Amazonas (TJAM).
Na semana passada, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) apresentou denúncia ao TJAM sobre o último massacre ocorrido no Compaj, em janeiro de 2017, citando “Mano G” como um dos autores intelectuais e interlocutores, todos da FDN, de onde partiu a ordem para a matança, que terminou com 56 mortos no presídio.
Foi “Carnaúba” que fundou com o comparsa “Zé Roberto” a FDN, hoje o terceiro maior grupo criminoso do país. A chacina deste ano foi uma das maiores do Brasil e em alto grau de violência e barbárie, com decapitações e esquartejamento de vítimas rivais da facção, do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a denúncia do MP, o massacre serviu também para os chefes da FDN causarem pânico aos rivais, além de demonstrarem força ao poder público.
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