Domingo, 22 de julho de 2018

Continuação de filmes como “Cidade de Deus” teria foco nas facções criminosas, como FDN, PCC e Comando Vermelho

Para diretor de “Cidade de Deus”, foco de uma sequência do filme seria sobre as grandes facções criminosas do País, como PCC, CV e a local FDN

Quinze anos depois de dois filmes emblemáticos e com foco na segurança pública, violência, corrupção e tráfico de drogas do Rio de Janeiro e que se repete em grandes capitais brasileiras, “Cidade de Deus”, e dez de “Tropa de Elite”, pouco mudou na realidade brasileira.

Cineasta de “Cidade de Deus”, o diretor Fernando Meirelles diz que uma continuação do filme teria outro enfoque na insegurança vivida no momento atual e da declarada falta de capacidade do Estado agir para combater o tráfico, muitas vezes sendo necessário recorrer às Forças Armadas.

Leis próprias

Uma continuação colocaria a lupa em cima de um mundo com leis próprias que tomam conta desde favelas no Rio até cadeias no Amazonas, e que se transformaram em indústrias do crime: as facções criminosas.

Meirelles vê a criação de espécies de grandes empresas distribuidoras de drogas, que passaram a controlar várias comunidades e a disputar o controle das cidades.

Elas são o CV (Comando Vermelho) e ADA (Amigos dos Amigos), citadas como as maiores. “Hoje já há grupos trabalhando pelo controle nacional como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e a FDN (Família do Norte). Imagina-se que o próximo movimento deverá ser ligações mais fortes com o mercado internacional, que já deve existir em algum nível dado o volume que estas grandes empresas nacionais negociam”, comenta o cineasta.

Lógica

“Essa ideia de franquia de droga era nova na época”, falou Meirelles em entrevista ao jornal O Globo, analisando o que mudou desde a conjuntura da “Cidade de Deus” de Zé Pequeno.

A lógica do tráfico não parece ser diferente da lógica do mercado, o apetite é igualzinho, o que muda são as armas. Bala de um lado, marketing do outro.

Massacre

O massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no primeiro dia deste ano, foi mais um capítulo da disputa de poder entre as maiores facções criminosas do País, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, e revela como o tráfico transnacional de drogas transformou-se em uma atividade bem organizada.

Responsável pelas mortes, a FDN é um dos grupos que surgiram nos Estados para conter o PCC – a FDN é apontada pela Polícia Federal como a terceira maior facção do País.

A Família é resultado da união de dois grandes traficantes, Gelson Lima Carnaúba, o “Gê”, e José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto”.

O grupo foi alvo da Operação La Muralla, em 2015, flagrado movimentando milhões por mês com o domínio da “rota Solimões” – usada para escoar a cocaína produzida na Bolívia e no Peru por meio dos rios da região amazônica.

Independente

Mesmo aliada do CV, a FDN nunca foi subordinada a nenhuma outra organização. No inquérito que deu origem à La Muralla, os investigadores perceberam que o PCC estava “batizando” criminosos amazonenses de modo a aumentar a presença no Estado. Essa ação desagradou a FDN, que ordenou a morte de três traficantes ligados à facção.

À época, CV e PCC eram aliados e mantinham negócios juntos, e a FDN estava fragilizada pela Operação La Muralla. Cerca de um ano após iniciar a perseguição ao PCC, e agora com o apoio do CV, a FDN pôs em prática o plano de acabar com a facção paulista no Amazonas.

Favelas

Atualmente, o PCC domina o tráfico de drogas na favela da Rocinha, no Rio, o que aumenta a tensão com o CV. Com mais de 100 mil moradores, a favela é considerada pela polícia a área do Rio onde o tráfico de drogas é mais rentável, alimento o ciclo vicioso do crime.

A comunidade era dominada pela Amigo dos Amigos, rival do CV. O PCC firmou uma parceria com a ADA, aliança que começou na rua e teve reflexos nos presídios. Em Bangu 4, bandidos que aderiram ao PCC pediram transferência para uma ala destinada à ADA.

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