09/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MP-AM pede dissolução de instituto investigado na Maus Caminhos e cita desvio de mais de R$ 500 milhões

Publicado em 18 de outubro, 2017

Operação Maus Caminhos desmontou esquema de desvio milionário de dinheiro da saúde no Amazonas. Agora, ação na Justiça pede dissolução da empresa, para evitar possíveis futuras fraudes. Foto: Arquivo

Uma ação civil do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), ingressada na Justiça do Estado, pede a dissolução do Sociedade de Humanização e Desenvolvimento de Serviços de Saúde Novos Caminhos – Instituto Novos Caminhos (INC), acusada de ter atuação direta no esquema de corrupção que desviou milhões de recursos públicos da área de saúde do Governo Estadual.

Na ação, o MP contabiliza que o instituto, investigado na Operação Maus Caminhos, deflagrada em setembro de 2016, recebeu mais de R$ 500 milhões do Poder Executivo entre março de 2014 e abril de 2016.

“Conclui-se que, apenas para o Instituto Novos Caminhos, nos anos de 2014 a 2016, foi repassado pelo Estado do Amazonas, sem contrato, a vultuosa quantia de R$ 40.187.681,32. Mais uma vez, recorde-se que nenhum dos contratos prestou contas ao TCE (Tribunal de Contas do Estado)”, diz a promotora na ação, Sheyla Frota de Carvalho.

As investigações que deram origem à Operação Maus Caminhos demonstraram que, dos quase R$ 900 milhões repassados, entre 2014 e 2015, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Estadual de Saúde (FES), mais de R$ 250 milhões teriam sido destinados unicamente ao INC.

Qualificada como organização social, a entidade era responsável pela gestão de apenas três unidades de saúde no Estado: UPA 24 horas Campos Sales, em Manaus, UPA 24 horas e Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga, e Centro de Reabilitação de Dependentes Químicos (CRDQ), em Rio Preto da Eva.

Na verdade, os trabalhos tratavam-se “de um artifício mais sofisticado para fraude, apropriação e desvio de recursos públicos, permitindo a contratação direta e irregular de entidades prestadoras de serviços de saúde administradas pela organização criminosa que se formou”, cita a promotora.

No pedido de dissolução, o MP explica que em inspeção realizada pelo órgão foi verificada que a instituição investigada não funciona mais no endereço na avenida Djalma Batista, zona Centro-Sul. Como investigado, a empresa iniciou e terminou suas atividades de forma abrupta, com a prisão de seus líderes.

A dissolução, conforme a ação, visa evitar que o instituto sirva para mais manobras jurídicas, financeiras e eleitoreiras, “maquiando desvios de verbas e lavagem do dinheiro”. Para a promotora, o não funcionamento do instituto só deixa mais evidente a sua criação para fins espúrios, sem ter administração por abandono e omissão.

Operação e MPF

O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) apresentou à Justiça, em maio deste ano, sete novas denúncias contra o médico Mouhamad Moustafa, a enfermeira Jennifer Naiyara Yochabel Rufino Correa da Silva e outras seis pessoas acusadas de envolvimento em crimes praticados por uma organização criminosa que desviou enormes quantias de recursos públicos federais da saúde transferidos para o Estado.

Nas ações, eles são acusados de se beneficiarem de dispensa indevida de licitação em dezenas de situações diferentes. Também são alvos das denúncias o farmacêutico Paulo Roberto Bernardi Galacio, os empresários Priscila Marcolino Coutinho, Alessandro Viriato Pacheco, Davi de Azevedo Flores, Erhard Lange e Gilberto de Souza Aguiar, além da médica Karina Moustafa – irmã de Mouhamad.

Todos responderão pelo crime de dispensa indevida de licitação, previsto no artigo 89 da Lei de Licitações (Lei 8.666/93), praticado várias vezes e de forma continuada. Mouhamad é réu nas sete ações e, se consideradas as penas máximas a que está sujeito, pode ser condenado a até 96 anos de prisão. Jennifer e Paulo respondem a seis ações e, pelas penas máximas, podem ser condenados a 71 anos de prisão, diante de uma série de agravantes a serem avaliados pela Justiça na sentença.

Os órgãos de fiscalização e controle apuraram ainda que os maiores fornecedores do Instituto Novos Caminhos eram apenas três empresas: Salvare Serviços Médicos Ltda., Total Saúde Serviços Médicos e Enfermagem Ltda. e Sociedade Integrada Médica do Amazonas (Simea).

De acordo com as denúncias do MPF, embora não fosse proibida a contratação de empresas para o fornecimento de serviços e materiais, foi verificado que o INC e as empresas privadas constituíam, na verdade, um mesmo grupo econômico, comandado por Mouhamad Moustafa.

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