26/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Arthur entra no debate direto com Doria e em entrevista ao UOL afirma que PSDB está “petrificado”

Publicado em 08 de outubro, 2017

Prefeito de Manaus volta a criticar imagem que Doria e Alckmin tem, principalmente, das regiões Norte e Nordeste. Arthur Virgílio Neto se lançou para concorrer às prévias do PSDB para indicar o nome que vai concorrer à Presidência da República em 2018. Foto: Arquivo

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), ocupa neste domingo (8) a mídia nacional, com grande entrevista no portal UOL, falando sobre sua decisão de ser presidente da República nas eleições de 2018.

Nas últimas semanas, o tucano anunciou o desejo de participar das prévias do partido, que considera “petrificado”, buscando quebrar a polarização interna no ninho da sigla entre os presidenciáveis governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito da capital paulista João Doria.

Na entrevista, o prefeito mostra-se intenso e pronto para enfrentar o antigo rival político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante o mandato de senador, de 2003 a 2011, Arthur foi um dos mais ferrenhos críticos de Lula. O tucano, que está no segundo mandato consecutivo à frente da Prefeitura de Manaus, disse que o senador Aécio Neves não tem mais condição de seguir à frente da presidência do PSDB.

Ele chamou Alckmin e Doria de “paulistocêntricos” e falou que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), um nome na corrida presidencial, é “fascista” e “homofóbico”.

Sobre o partido nacionalmente, o tucano enxerga um PSDB mais do que rachado, mas sim petrificado, especialmente vivendo de mitos de que as denúncias de corrupção que atingiram as siglas ao redor, não teriam “tocado” o ninho tucano.

Sobre Doria, que cita que faz campanha até mesmo durante a semana, viajando de Norte a Sul do País, Arthur alfineta falando que ele usa uma estratégia caduca como marketing. “Vai a festas populares, como foi ao Círio, em Belém, naquele clima velho de se unir aos ícones da tradição. Ele vai segurar a corda? Ele não tem uma vitrine correta para o Brasil, disse durante a entrevista ao UOL.

Para o prefeito, Doria ainda comete outro erro na estratégia, de fazer anúncios e promessas, como o fim das filas no atendimento de saúde na rede municipal de São Paulo, mas nada aconteceu. O tucano lembra que Doria já anunciou outro programa, de privatizações: “Não há solidez jurídica sobre o que ele está falando. É coisa par ir para o Twitter e pras redes sociais”, comentou.

Questionado sobre o motivo de se lançar como uma terceira via dentro do partido, Arthur Virgílio Neto explica que, em primeira lugar, quer prestar serviço ao país, e à Região Norte, que sempre fica em um plano bem secundário na “visão de quem governa a partir de São Paulo”, disse na entrevista.

E sobre falar sério sobre segurança, observando o caso do Estado do Rio de Janeiro, o prefeito de Manaus confia desarmar o discurso de Jair Bolsonaro. “Há um espaço enorme para crescer na medida em que a gente explicar tudo o que se pensa de verdade”, responde ao UOL.

A visão que chama de “paulistocêntrica” de Alckmin, que inclusive já teve Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) na guerra fiscal, que inclui o Amazonas, é vista como negativa por Arthur. “Ele não entende de Amazônia. É cafona não entender de Amazônia. O Alckmin precisa ser beliscado e acordar para as regiões Norte e Nordeste. Eles não olham”, fala o prefeito, ao ser questionado sobre o governador de São Paulo.

Sobre o Governo Temer, o tucano que governa Manaus afirma que ele está mal politicamente, mas que as soluções práticas à vista – como adiar reformas e colocar Rodrigo Maia no poder -, não são garantia de travessia econômica segura para 2018, depois de todos os revezes de 2016 e 2017.

Arthur não vê Temer como a pessoa correta para fazer essa travessia, mas que está “lá por acaso”, como acontecer com Itamar Franco, José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. “Se derrubarmos todos, com que Brasil vamos chegar em 2018? A situação é muito grave. No dia em que o (Henrique) Meirelles acordar e pensar que já está de saco cheio, for embora e levar a equipe econômica embora, o que vai acontecer? Eu olho pro Brasil e vejo um cenário muito grave”, responde ao UOL.

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