
A partir de denúncia, Seap flagrou agentes penitenciários em esquema para facilitar entrada de material ilícito na cadeia, como celulares e drogas. Até o momento, um grupo de 10 pessoas está envolvido no esquema. Fotos: Divulgação PC-AM
Um dia após a Polícia Civil apresentar o inquérito sobre a maior chacina do sistema prisional do Amazonas, um esquema montado para entrar com produtos ilegais e irregulares dentro da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) foi desmontado neste sábado (2).
A partir de denúncia recebida pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) foi descoberto um grupo de 10 pessoas atuando para entrar na unidade com material ilícito, de aparelhos celulares até drogas. Segundo a Seap, todo o grupo é terceirizado e contratado pela empresa Umanizzare Gestão Prisional.
O agente de socialização Alex William Alves Monteiro foi flagrado neste sábado tentando entrar na UPP com 11 celulares e R$ 300 em espécie. Ele apontou outros funcionários que ajudariam na ação e um ex-agente. Os aparelhos teriam como destino a galeria 5 da unidade, onde ficam presos como traficantes e homicidas.
Além de Alex, foram detidos Anderson da Silva Viena e Cleberson da Silva dos Santos, que também estavam de serviço. Dos dez suspeitos, cinco já confirmaram a participação no esquema. Eles disseram que receberiam até R$ 500 por cada celular. Os outros cinco estavam sendo ouvidos no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na Ponta Negra, na Zona Oeste, que vai conduzir as investigações. Um ex-agente, que não teve o nome divulgado, foi preso em flagrante, em casa, portando uma arma de fogo, uma pistola 380. Ele foi detido com apoio da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam).
Alex Monteiro admitiu que estava participando do esquema há pelo menos dois meses, mas a Seap acredita que a facilitação estivesse acontecendo há mais tempo. O secretário Executivo Adjunto da Seap, Klinger Paiva, confirmou que todos os envolvidos serão demitidos das funções e que o serviço de inteligência monitora outras ramificações do esquema.
“Alex foi flagrado tentando entrar na unidade com vários celulares e descobrimos que ele, com os outros dois que estavam de serviço, burlavam o sistema de revista obrigatório para todos os funcionários que entram na unidade. Recebemos a denúncia e ao identificar sua entrada, o supervisor fez a abordagem e Alex não mostrou resistência, entregando o material”, disse o secretário.
Segundo Klinger Paiva, Alex entregou outros agentes e explicou que eles “fingiam” ser revistados, entrando com celulares e até drogas. “Nosso trabalho é contínuo de investigação e todos os que são contratados passam por análise prévia de perfil. Mas há sempre alguém que se corrompe”.
O delegado titular do 19º DIP, Paulo Benelli, contou que assim que recebeu a informação da ocorrência da Seap, mobilizou a equipe para atender ao caso, em razão do número de envolvidos e da complexidade. “Vamos ver o tamanho da organização e se está ligada a alguma facção criminosa. Estamos ouvindo os envolvidos”, afirmou.
Umanizzare
Em nota, sobre os presos neste sábado, a Umanizzare esclarece que um dos agentes foi identificado em flagrante pelos supervisores da própria Umanizzare, na área administrativa da unidade, por volta das 8h da manhã, quando tentou esconder uma sacola com celulares em uma das dependências administrativas.
Segundo a nota, é padrão na cogestão da unidade, os agentes de socialização da Umanizzare, quando denunciados, apurados ou constatados ato indisciplinar ou infracional cometido por qualquer de seus colaboradores, a empresa tomar, de imediato, as providências cabíveis. Neste caso, as denúncias foram encaminhadas à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Amazonas, como autoridade policial.
A Umanizzare reafirma que os funcionários passam por rigoroso processo de seleção e que todos são submetidos à revista e fiscalização diárias pelos agentes públicos competentes.

Investigação será coordenada pela Polícia Civil. Neste sábado, equipe e delegado titular do 19º DIP, Paulo Benelli, ouviram envolvidos no esquema