12/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Feminicídio será tema de Seminário na OAB-AM na próxima quinta-feira. Norte tem uma das mais altas taxas no Brasil

Publicado em 29 de agosto, 2017

Na Região Norte ocorrem 6,42 óbitos por 100 mil mulheres, uma das mais altas taxas, segundo dados do Ipea. Para a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o quinto país com mais números de feminicídios no mundo. Foto: Divulgação

Atualmente, estima-se que ocorreram, em média, 5.664 mortes de mulheres por causas violentas a cada ano, 472 a cada mês, 15,52 a cada dia, ou uma a cada hora e meia. A Região Norte tem uma das taxas de feminicídios mais elevadas, de 6,42 óbitos por 100 mil mulheres, assim como são altas as taxas do Nordeste, de 6,90, e do Centro-Oeste, 6,86.

Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com intuito de debater sobre causas, efeitos e prevenções, a Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), realiza nesta quinta-feira (31), o Seminário sobre Feminicídio.

O evento terá palestras que disponibilizarão 10 horas de atividades complementares, os ingressos custam R$10. O seminário colocará em discussões temas como a “Superação da Violência: Resignificando a Vida”, com a psicóloga Lorena Benayon; “O protagonismo feminino e o enfrentamento ao Feminicídio”, com a advogada e Presidente da Comissão da Mulher Advogada, Maria Gláucia Barbosa; “Feminicídio e Políticas Públicas”, com a secretária Executiva de Políticas para Mulheres, Keith Bentes; e o “Feminicídio e o Tribunal de Júri”, com o promotor de Justiça Edinaldo Medeiros.

A presidente da Comissão da Mulher Advogada, Gláucia Barbosa, fala um pouco sobre os altos índices de violência contra mulher, e as orientações que elas podem seguir em caso de agressões: “As vítimas de estupro ou de violência terão marcas para o resto de suas vidas, por isso sempre aconselhamos o acompanhamento psicológico, pois esquecer não é possível, mas podemos recuperar a dignidade desta mulher”, disse.

Outro assunto defendido pela advogada é o constrangimento sofrido pela vítima, o que a impede de procurar as autoridades. “As estatísticas são de 50 mil casos de estupros, mas isso corresponde a 10% destes delitos. Os dados colhidos pela Secretaria de Saúde são maiores que os dados das delegacias, isso por que preocupadas com o constrangimento e a vergonha de falar sobre o assunto as vítimas acabam procurar os hospitais”, concluiu.

Feminicídio

O Brasil é o país com a quinta maior taxa de feminicídio do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de assassinatos chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres. O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher.

As mulheres negras são ainda mais violentadas. Apenas entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes, passando de 1.864 para 2.875 nesse período. Muitas vezes, são os próprios familiares (50,3%) ou parceiros/ex-parceiros (33,2%) os que cometem os assassinatos.

Com a lei 13.140, aprovada em 2015, o feminicídio passou a constar no Código Penal como circunstância qualificadora do crime de homicídio. A regra também incluiu os assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima no rol dos crimes hediondos, o que aumenta a pena de um terço (1/3) até a metade da imputada ao autor do crime. Para definir a motivação, considera-se que o crime deve envolver violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Para a promotora de Justiça e coordenadora do Grupo Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (GEVID) do Ministério Público do Estado de São Paulo, Silvia Chakian, a lei do feminicídio foi uma conquista e é um instrumento importante para dar visibilidade ao fenômeno social que é o assassinato de mulheres por circunstâncias de gênero. Antes desse reconhecimento, não havia sequer a coleta de dados que apontassem o número de mortes nesse contexto.

 

Serviço

Seminário sobre Feminicídio

Onde: Ordem dos Advogados do Brasil – OAB-AM, avenida Umberto Calderaro Filho

Horário: 14h às 18h

Para mais informações: (92) 99154-4493

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