Amazonas é o 8º Estado do Brasil em número de homicídios. São quase três assassinatos por dia, no primeiro semestre

Com 506 homicídios registrados no primeiro semestre, Amazonas ocupa o oitavo lugar no ranking dos Estados com mais mortes do tipo. Segundo secretário de Segurança a maioria das mortes está ligada à guerra entre facções criminosas. Foto: Divulgação

Da Redação e Agências

Por dia, o Amazonas registrou quase 3 homicídios neste ano, no período de janeiro a julho, e está na lista dos Estados onde a escalada de assassinatos segue em alta no Brasil, ocupando o 8º lugar. No País, até julho, foram 28 mil assassinatos cometidos, de acordo com dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança pública, incluindo homicídios dolosos, lesões corporais graves seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte).

No Amazonas, nos seis primeiros meses, foram 506 casos, contra 483 do ano passado, no mesmo período, uma média de 84 mortes por mês. Tanto aqui quanto no resto do Brasil, os assassinatos estão ligados, em sua maioria, ao tráfico de drogas. O levantamento foi feito pelo jornal O Estado de S.Paulo e pelo UOL, fazendo ligações diretas com o narcotráfico na região.

São 155 assassinatos por dia no País, cerca de 6 por hora nos Estados brasileiros. O número é 6,79% maior do que no mesmo período do ano passado e indica que o Brasil pode retornar à casa dos 60 mil casos anuais – número que se aproxima de uma guerra ou epidemia fatal.

O aumento acontece em um ano marcado pelos massacres em presídios, pelo acirramento de uma briga de duas facções do crime organizado – Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN) -, dificuldades de investimento dos Estados na área e um plano federal de apoio que avança menos que o prometido.

No dia 1º de janeiro deste ano, no Complexo Penitenciário Aníbio Jobim (Compaj), o Amazonas entrou para a história das chacinas no Brasil, quando ocorreu o massacre que terminou com a morte de 56 detentos, a maioria ligada ao PCC, após uma ordem de execução da FDN.

Para o secretário Sérgio Fontes, da Secretária de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), o crescimento no número de homicídios nos cinco primeiros meses de 2017 se deu por conta da disputa no tráfico de drogas. “Sem dúvida nenhuma que tem relação direta com a guerra de facções. Principalmente com a briga dentro da própria facção Família do Norte (FDN), entre o João Branco e o Gerson Carnaúba”, disse.

Sérgio Fontes afirma que pelo menos metade dos homicídios registrados neste ano no Amazonas está relacionada ao que ele chama de “esfacelamento” da facção. “Eu diria que aproximadamente 50% dessas mortes estejam relacionados ao esfacelamento da FDN, dessa briga fratricida”, afirmou. E boa parte dessas mortes, diz o secretário, teve características de execução.

Em alguns dos homicídios, as vítimas foram mortas com tiros na cabeça à queima-roupa. Ainda de acordo com as investigações, os atiradores chegavam até as vítimas dirigindo motocicletas, o que é típico em casos de assassinatos realizados por traficantes.

Norte

O primeiro Estado mais violento da Região Norte é o Pará, ocupando o 6º lugar, com 1.970 assassinatos registrados no primeiro semestre. O aumento nacional é puxado pelas elevações em Estados nordestinos, como Pernambuco. Se o País teve 1,7 mil homicídios a mais neste semestre, boa parte, 913, se deve à derrocada do Pacto Pela Vida, programa pernambucano que vinha conseguindo reduzir assassinatos na última década, enquanto a região mantinha tendência de alta. A onda de violência tomou as cidades pernambucanas, assim como foi intensificada no Ceará e no Rio Grande do Norte. Quatro dos 11 Estados que tiveram aumento estão no Nordeste.

União

Questionado sobre a alta de assassinatos, o Ministério da Justiça não comentou. Sobre o Plano Nacional de Segurança, destacou que “os investimentos inicialmente previstos foram revisados e adequados com a realidade financeira da União e perfeitamente absorvidos pelos Estados, que adaptaram as ações propostas de modo a atingir os resultados. Paralelo a isso, ações de capacitação e doação de equipamentos estão sendo realizadas.”

Pelo Plano, inicialmente foram enviados agentes da Força Nacional, equipamentos e R$ 31,94 milhões para as capitais de Rio Grande do Norte, Sergipe e Rio Grande do Sul. No caso do Rio de Janeiro, foram enviados agentes da Força Nacional e das Forças Armadas. A pasta não informou se e quando agentes federais serão enviados aos outros Estados. A previsão é de que todas as capitais tivessem agentes da Força Nacional ainda neste ano.

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