11/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Delegado tem provas da participação de “Já Morreu” na execução do PM Portilho

Publicado em 01 de junho, 2017

Após se entregar à polícia e ser preso, “Já Morreu” contou sua versão, onde não teria participação no crime, o que é rebatido por testemunhas. Autoridades continuam buscas por foragidos envolvidos na morte do PM. Fotos: Divulgação PC-AM

Um morador da invasão Buritizal Verde, na zona Norte, que está sob proteção policial como testemunha ocular, foi peça fundamental para os investigadores do homicídio do soldado da Polícia Militar, Paulo Sério Portilho, ocorrido na última terça-feira (30).

Segundo o delegado Juan Valério, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), e o comandante da Polícia Militar, David Brandão, o número de envolvidos no crime passa dos seis inicialmente divulgados. Diante da forma como o PM Portilho foi abordado na invasão, muitas pessoas presenciaram o crime e seu desenrolar, mas não alertaram as autoridades, talvez com medo dos traficantes que comandam o lugar.

“Várias pessoas assistiram à execução do soldado e não ligaram para o 190 ou 181. Nem precisa se identificar para fazer denúncia. E independente de ser um policial, tinha uma pessoa sendo agredida ali”, lamentou Brandão.

A polícia acredita que no meio estavam os que incitaram o ataque e ajudaram no crime, mas também moradores de bem. E que graças a uma testemunha tiveram mais detalhes do homicídio e da atuação dos criminosos. “A população nos apoiou e ofereceu testemunhos. Não se pode viver uma vida de refém”, falou Valério.

Na quarta, Marcos Neves Serra, 19, conhecido como “Já Morreu”, foi dado como suspeito do assassinato e estava sendo procurado pela polícia. Ele se entregou na Delegacia Geral e confirmou participação no crime horas após ter sua foto e nome divulgados na imprensa. A imagem percorreu diversas mídias sociais. Ele foi preso em cumprimento a um mandado por roubo majorado, pendente, e o mandado de prisão preventiva em razão do homicídio já foi representado à Justiça. Ele foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória Masculino, onde permanecerá à disposição da polícia.

A investigação trabalha na busca dos outros envolvidos. Conforme depoimento da testemunha, “Já Morreu” teria ajudado na abordagem, na rendição e levado o soldado até a ribanceira, onde ocorreu a execução.

Mas o infrator, que está preso, em depoimento afirmou que apenas chegou ao local onde o soldado estava sendo enterrado e que não teve participação na morte. A polícia não acredita nesta versão como real em razão de provas já obtidas. Entre elas, a arma do PM encontrada enterrada no endereço de Marcos Neves.

A Polícia Civil divulgou a imagem de outro suspeito que está sendo procurado, Fábio Barbosa de Souza, chamado de “Índio’, que é natural de Tefé e tem passagem no sistema prisional do Amazonas por tráfico de drogas. Para fazer denúncias, a população pode ligar para o 190 ou 181.

Coronel Brandão (à direita) disse que população pode ajudar, fazendo denúncias ao 190. Elas podem ser anônimas

O crime

O soldado Paulo Sérgio da Silva Portilho, 34, foi agredido e esfaqueado pelo menos 13 vezes antes de ser enterrado em uma cova na periferia de Manaus.

O PM, segundo Juan Valério e familiares, foi à invasão por volta das 21h30 da última sexta-feira (26), procurando informações sobre como poderia comprar um lote de terra no local. Quando entrou no local, ainda no asfalto, foi abordado e reconhecido como PM pela camisa que usava. Índio e comparsas teriam incitado o ataque ao policial, conforme depoimentos.

“Temos mais suspeitos e solicitaremos suas prisões no plantão criminal. Divulgaremos as imagens para a imprensa, população e policiais, para ter informações precisas para a captura desses indivíduos”, disse.

Narcotráfico

O Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) também está nas investigações e, conforme o delegado Guilherme Torres, a invasão Buritizal Verde é comandada pelo narcotraficante João Branco.

O delegado conta que moradores do Buritizal pagam água e luz para as facções criminosas, que marcam portas como se fossem donos das terras. “Há um histórico recorrente nas invasões como Cidade das Luzes e Iranduba, já apresentado em audiência pública junto ao Ministério Público, que em todas, inclusive a Buritizal, há o comando do narcotráfico”.

A invasão na zona Norte já passou por duas reintegrações de posse, sendo a última de setembro de 2016, pois a área também é de preservação ambiental.

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