24/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Produção de farinha de peixe é bom negócio para o Amazonas, aponta empresário na FIEAM

Publicado em 16 de março, 2017

Um dos potenciais não aproveitados no Amazonas é a farinha de peixe, ingrediente muito utilizado na ração animal, especialmente na aquicultura, e considerada o item mais caro na criação de peixe de viveiro. O empresário Afrânio Campos, que já produziu a proteína, destacou que o mercado internacional é carente do produto e que chineses e noruegueses possuem grande interesse em comercializar o produto.

“No Brasil, a produção de farinha de peixe está na região Sul, mas os principais produtores estão na África, Europa e na América do Sul”, disse Campos. A proteína da ração também pode gerar óleo de peixe, biocombustível e odorizador de ração. “E isso tudo pode ser feito com peixes amazônicos sem valor comercial”, explica o empresário.

A produção da farinha de pescado foi sugerida a empreendedores e produtores do setor primário na 2ª reunião anual do Comitê de Apoio ao Desenvolvimento do Agronegócio no Amazonas, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM).

Campos apresentou a experiência pessoal na produção de farinha de peixe em 2007, no município de Manacapuru, onde aproveitava o descarte de restos de peixes de frigoríficos para a sua produção. Segundo o empresário, a produção mais importante vinha da pesca de peixes como a branquinha, espécie também conhecida como cascudinha, bem pequena e sem valor de mercado.

Devido aos embargos da legislação e da falta de consenso dos órgãos ambientais, a produção de Afrânio foi encerrada dois anos depois de seu início. A proposta do empresário agora é incentivar empreendedores para reativar a fábrica ou consolidar novos empreendimentos mais modernos que podem impulsionar o setor da aquicultura.

“O Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas), Sepa (Secretaria Executiva de Pesca e Aquicultura) e o Ministério da Agricultura são órgãos que podem nos ajudar, tanto em estudo de viabilidade quanto em apoio técnico na extração de branquinhas e outras espécies de nossos rios”, sugeriu.

“Somente para ter uma ideia, a fábrica de farinha de peixe de Manacapuru, uma iniciativa privada, tem dimensões parecidas como a da Sadia, porém o ideal é reativá-la com equipamentos mais modernos já presentados pelos noruegueses que possuem expertise nesta produção”, explica o empresário.

Campos faz prospecção de investimento total para uma nova instalação em áreas próximas dos rios no valor de R$ 1,5 milhão a R$ 2,5 milhões, incluindo terreno, estrutura e equipamentos.

“A China está com uma grande fábrica de farinha de peixe no Peru, aproveitando o que a natureza oferece sem prejudicar o meio ambiente. Nossa produção seria com peixes muito pequenos, aproveitando menos de 5% dos cardumes que passam pelos nossos rios. Esse aproveitamento iria fomentar e estabilizar a cadeia de produção da aquicultura e poderíamos aproveitar na íntegra o peixe”.

O empresário destacou ainda que não há necessidade de construção de grande fábrica, indicando investimento em planta industrial compacta com a capacidade de produção diária de 10 a 15 toneladas de farinha de peixe.

 

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