A partir do dia 24, o Shopping Ponta Negra será palco de uma exposição diferente, intitulada “Mãos Livres – A Arte no Cárcere”, que traz peças confeccionadas por internos do Sistema Prisional do Amazonas. Paletes, biscuit, crochê, sabonetes e poemas serão alguns dos itens que farão parte da mostra que segue até o dia 31, das 10h às 22h. O evento acontece em alusão à semana do presidiário, na primeira quinzena de agosto, fruto de uma parceria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) com a Umanizzare Gestão Prisional Privada.
Segundo a gerente de marketing do Shopping Ponta Negra, Janaína Barroso, essa é mais uma opção gratuita e diferenciada de cultura e lazer que o centro de compras traz para os seus clientes, possibilitando contribuir para a ressocialização dos detentos. “A iniciativa proporciona a valorização do trabalho dos presidiários, para que continuem trabalhando e praticando seus talentos artesanais, transformando o tempo ocioso em arte e até vocação”, comentou.
“Os internos participam de diversos cursos artesanais que estimulam a criação de peças diferenciadas, desde móveis até os artesanatos mais comuns. Acreditamos que essa é uma forma de promover atividades que possibilitem com que as pessoas privadas de liberdade aprendam um ofício e enxerguem uma alternativa de fonte de renda para quando retornarem ao convívio com a sociedade”, destacou o secretário de Estado de Administração Penitenciária, Pedro Florencio.
Mais de 70 internos de seis unidades prisionais do Estado produziram diversas peças que vão compor a exposição. Em Manaus, as unidades participantes são o Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF) e Masculino (CDPM), o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), do regime fechado, a Penitenciária Feminina de Manaus (PFM) a e Unidade Prisional Semiaberto Feminino (UPSF). Do interior do estado, a Unidade Prisional de Itacoatiara (UPI), localizada a 277 km de Manaus, também participará com produções artesanais.
A exposição conta também com o apoio da coordenação do curso de arquitetura da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que está desenvolvendo o projeto de estrutura dos materiais expostos, formando cenários concentrados nos três pisos do Shopping Ponta Negra. A maioria da matéria-prima utilizada na confecção das peças é material reciclável, usado pelos detentos dentro das unidades, a exemplo de caixas de leite e jornais.
Dentre as peças expostas, o destaque fica por conta dos móveis paletes, produzidos por internos do regime fechado do Compaj. Vinte e cinco detentos participaram do curso que teve início em abril deste ano. Gilson Carmo da Silva, de 30 anos, é um dos expositores. Ele explica que a oportunidade possibilitou ampliar as técnicas de artesanato e habilidades manuais que já exercia dentro da unidade. “Já faço artesanato aqui há alguns anos e participo do grupo que está sempre envolvido nesses cursos que nos dão a chance de aprender algo novo constantemente”.
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