Vitiligo atinge 2% da população manauara e diagnóstico precoce aumenta chances de cura, alertam especialistas

O vitiligo é uma doença crônica, caracterizada por manchas brancas na pele. Estima-se que 2% da população manauara seja atingida pela doença, independente da cor, sexo, alimentação ou classe social. A causa exata ainda permanece desconhecida e, quanto mais precoce o diagnóstico, maior são as chances de cura. Esse foi um dos alertas dos pesquisadores nacionais e internacionais durante o XVI Master Class sobre Vitiligo e Doenças Pigmentares, que aconteceu nesta sexta-feira (10/06), na Fundação Alfredo da Matta (FUAM), órgão vinculado à Secretaria Estadual de Saúde (SUSAM).

Segundo dados da FUAM, ao longo dos últimos cinco anos foram registrados 982 casos de vitiligo que representaram 4% do total de dermatoses prioritárias atendidas na Fundação. Desse total, 465 ocorreram no sexo masculino e 517 no feminino. Em 2015, surgiram 181 casos e, até maio deste ano, 95 pessoas já foram diagnosticadas.

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O diretor-presidente da FUAM, Helder Cavalcante, afirma que atualmente existem cerca de mil pacientes recebendo tratamento na Fundação. “A estimativa é que 30 até 40 mil sofram da doença em Manaus, mas como não apresentam sintomas e a lesão não aparece em lugares visíveis, muitas pessoas não imaginam que possuem vitiligo”, comenta.

O Vitiligo não causa dor, nem coceira, não é contagioso e nem traz prejuízo à saúde física. “Entretanto, as lesões costumam acarretar um impacto significativamente na qualidade de vida e na autoestima dos pacientes, sendo necessário também acompanhamento psicológico”, destacou o organizador do evento, o dermatologista amazonense, Sinésio Talhari, que afirmou que através do tratamento é possível controlar a doença e até curar o paciente, fazendo com que as manchas desapareçam totalmente.

Porém, o professor e chefe do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí e vice-presidente da Sociedade Internacional de Dermatologia, Paulo Cunha, alerta que existem várias maneiras de tratar o vitiligo e as diversas modalidades terapêuticas tem diferentes modos de ação. O tratamento deve ser individualizado.

“Por isso, é essencial que, antes de qualquer coisa, o paciente converse com um médico dermatologista para uma avaliação e siga à risca o tratamento para que seja eficaz, além de evitar a automedicação, receitas caseiras e nem se consultar com o Doutor ‘Google’”, acrescentou Talhari. Ele apontou que muitas vezes as informações da internet sobre doenças são não são confiáveis e, por isso, não dispensam a consulta e avaliação do especialista.

Um dos destaques no evento foi a apresentação do geneticista Marcelo Távora Mira, que apontou a hereditariedade como principal fator de risco genético para a suscetibilidade ao vitiligo. Segundo ele, nos Estados Unidos, por exemplo, uma pesquisa mostrou que 20% dos indivíduos com a doença tinham pelo menos um parente de primeiro grau também afetado. Além disso, outros estudos disseram que o risco de um indivíduo com um parente de primeiro grau afetado também desenvolver a doença pode ser de 7 a 12 vezes maior.

Segundo descobertas recentes, o vitiligo compartilha um número interessante de variantes genéticas com outras doenças autoimunes, como a Tireoidite de Hashimoto, Diabetes Mellitus e o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). O especialista explica que isso por um lado sugere que o próprio vitiligo pode ter um componente autoimune importante e talvez uma base molecular comum a todas estas doenças, ou seja, uma vez se entendendo esta base é possível avançar na compreensão de várias doenças ao mesmo tempo.

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