Artur Virgílio Neto diz que não reajusta tarifa nem com ordem do STJ e autoriza alternativos no Centro contra greve nos ônibus

 

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O prefeito Arthur Neto disse que os rodoviários não cumpriram acordo de suspender as paralisações. Foto: Alex Pazuello/Secom.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, disse hoje (16/05) que não concederá reajuste da tarifa de ônibus este ano e que adotará medidas alternativas caso persistam as constantes paralisações dos rodoviários em Manaus. Ele também afirmou que o Governo do Estado se comprometeu a efetuar com urgência o pagamento do subsídio concedido às empresas de transporte coletivo, que estão atrasados.

Mais cedo, o prefeito chegou a dizer que perdeu a paciência com os sete meses de atrasos nos repasses do subsídio à passagem de ônibus pelo Governo do Estado. “É hoje, é amanhã, é depois e esse pagamento não sai. Eu não vou esperar mais e vou pagar”, disse. A ameaça clara de rompimento da aliança política com o governador José Melo parece ter surtido efeito e na entrevista coletiva, fim da tarde, o discurso mudou. “O Governo vai pagar com urgência o subsídio atrasado”, disse.

Arthur falou sobre a situação do transporte coletivo, em coletiva à imprensa, na sede da Prefeitura, nesse dia de mais uma paralisação dos rodoviários em Manaus. Cerca de 100 mil usuários ficaram sem transporte por conta do movimento.

“Não haverá aumento de tarifa sobre nenhuma circunstância. Se for preciso irei às últimas consequências e assinarei um decreto mantendo a tarifa em R$ 3,00″, afirmou. Na entrevista concedida ao programa Manhã de Notícias, da Rede Tiradentes, logo cedo, Arthur foi ainda mais enfático. “Nem se o STJ autorizar, concedo reajuste de tarifa. Não prendem os ladrões que o Brasil tem, mas vão prender um prefeito que se recusa a atentar contra a bolsa popular”, disse.

Ao lado de um grupo de vereadores e de secretários municipais, Arthur criticou o conflito criado entre os sindicatos dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Manaus (STTRM) e das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), tendo como consequências paralisações no sistema de transporte. As empresas argumentam que só podem reajustar os salários dos funcionários se o valor da tarifa for reajustado.

O prefeito disse, ainda, que, caso as paralisações dos trabalhadores do sistema continuem, ele irá tomar medidas alternativas para minimizar os impactos na população. “Em primeiro lugar digo que estou aberto para o diálogo, desde que não haja mais greves por parte dos rodoviários e que o Sinetram acabe com essa novela de buscar judicialmente uma decisão que cabe a mim”, disparou Arthur.

Entre as medidas que podem ser adotadas pelo Município para manter o transporte coletivo operando está a liberação dos micro-ônibus Alternativos e Executivos até o centro da cidade, além das ações legais já impetradas pela Procuradoria Geral do Município (PGM). “De uma maneira ou de outra, não deixarei que Manaus pare de funcionar e muito menos que a população seja apenada com mais um aumento nesse período de crise e desemprego”, enfatizou.

 

Subsídio

Em relação aos atrasos no pagamento do subsídio concedido às empresas de transporte coletivo, o prefeito esclareceu que, no que cabe à prefeitura, os valores estão tecnicamente quitados, já tendo sido repassadas as parcelas dos quatro primeiros meses deste ano e em Programação de Desembolso (PD) a parcela referente ao mês de maio, que deve ser liberada nos próximos dias.

Quanto aos pagamentos oriundos do Governo do Amazonas, Arthur confirmou o atraso desde janeiro deste ano, totalizando cinco parcelas de R$ 1,3 milhão cada – o equivalente a R$ 6,5 milhões. “Recebi hoje a informação de que os pagamentos serão honrados e estão sendo tratados com urgência pelo governo estadual. Se isso, por ventura, não se concretizar, vamos romper o acordo firmado e fazer um esforço enorme para assumirmos mais esse compromisso financeiro”, declarou.

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Secretários municipais e vereadores acompanham a entrevista coletiva do prefeito Arthur Neto. Foto: Alex Pazuello/Secom.

Paralisação

A paralisação parcial da frota de ônibus ocorrida na manhã desta segunda-feira é resultado da disputa trabalhista pelo dissídio salarial de motoristas e cobradores, entre o Sinetram e o Sindicato dos Rodoviários. A greve tem por base a liminar do juiz plantonista Adilson Maciel Dantas, emitida no dia 25 de abril, determinando que se mantenha 70% da frota em circulação nos horários de pico (5h às 9h e das 16h às 20h) e 30% nos demais horários.

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