
Quinze pessoas foram presas durante a operação, que também apreendeu medicamentos. Fotos: Divulgação.
Uma associação criminosa responsável pelo desvio de medicamentos da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) foi desarticulada nesta sexta-feira (13/05). Foram apreendidos medicamentos e 15 pessoas foram detidas entre funcionários terceirizados do Departamento de Logística (Delog) do órgão, receptadores e proprietários de drogarias de Iranduba e da capital.
A operação, batizada de ‘Esculápio’, em referência ao deus da medicina e da cura na mitologia grega, foi coordenada pela 31ª Delegacia Interativa de Iranduba, município vizinho de Manaus. Os resultados da ação foram apresentados à imprensa pelo secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, e o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto, na Delegacia Geral da Polícia Civil do Amazonas, na Avenida Pedro Teixeira.
O delegado titular da 31ª DIP, Paulo Mavignier, informou que foram presos em cumprimento a mandados de prisão preventiva Idagilson Batista Bentes, 32; José Renato Magalhães de Souza, 58; Nilson Trindade da Costa, 34; Rodolfo Garcia de Souza, 31; Elivan da Silva Vieira, 29, conhecido como “Cacau”; a esposa dele, Luana Matos de Almeida, 26; Helder Thury Barreiros Barbosa, 25; Reginaldo dos Santos de Souza, 41, chamado de “Peixe”; a esposa dele, Jacenira Batista da Silva, 39, a “Nira”, e André da Silva Salles, 37.
Além dos dez mandados de prisão, segundo Mavignier, foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva nas respectivas residências e drogarias dos infratores, localizadas no Distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, e na capital, nos bairros Vila da Prata, Japiim, Compensa e Mauazinho.
Conforme o delegado, durante a ação, fiscais da Visa e da Semsa, com apoio de policiais civis, realizaram fiscalizações em drogarias situadas em diferentes pontos da capital e de Iranduba, onde foram encontrados medicamentos irregulares. As transgressões resultaram nas prisões, em flagrante, de Marcos Duilly Pinto Lima, 30; do pai dele, Inácio de Aguiar Lima, 52; Joab Serique Cota, 35; João Bosco Lima Gimaque, 50, e Rafael Paulo Cabral, 36.
Segundo o delegado, Reginaldo e Elivan trabalhavam como auxiliares de Almoxarifado no Delog, no bairro Flores. Os infratores remanejavam os medicamentos que seriam enviados para unidades hospitalares e os entregavam para o motorista José Renato e o ajudante dele, Helder, que faziam o transporte dos remédios desviados até os receptadores. Jacenira e Luana negociavam os remédios. Rodolfo, Nilson e Idagilson atuavam como intermediadores dos remédios. André é proprietário de uma drogaria no bairro Compensa e é considerado o principal comprador dos produtos.
“Apuramos que o grupo atuava desde o mês de outubro de 2015. Em Iranduba funcionava uma central de distribuição ilegal desses remédios, que eram revendidos, principalmente, para farmácias do próprio município e do bairro Compensa, em Manaus. Foram desviados pelo menos 50 tipos de medicamentos, entre eles, antibióticos e remédios controlados, além de material de Enfermagem, como seringas, termômetros, esparadrapos e algodão”, informou o delegado.
Denúncia
O secretário Homero de Miranda Leão Neto tomou conhecimento da irregularidade, por meio de denúncia anônima, e comunicou o problema à Polícia Civil oficialmente em março deste ano. De acordo com ele, funcionários terceirizados que trabalhavam no Delog, nas atividades de separação, transporte e entrega, furtavam diariamente poucas quantidades de medicamento, abrindo as caixas por baixo, sem danificar o lacre. Ao chegar ao destino, as falhas nas quantidades do produto não eram percebidas, uma vez que a conferência era feita somente pelas caixas.

O secretário Homero de Miranda Leão Neto tomou conhecimento da irregularidade e comunicou o problema à Polícia Civil oficialmente em março deste ano. Foto: Divulgação.
“É uma tristeza para a saúde pública e o prefeito Arthur Neto disse para não medirmos esforços na investigação desta situação, porque estes medicamentos deveriam ser entregues à população e não vendidos por pessoas inescrupulosas. Isto é um crime hediondo”, lamentou o secretário, informando que a empresa da qual os criminosos eram funcionários será responsabilizada e terá que arcar com os prejuízos. Homero adiantou, ainda, que até junho deste ano a Semsa irá contar com um software do Ministério da Saúde, o Hórus, desenvolvido para gestão dos medicamentos e insumos, que também dará mais segurança a esse processo.
Segundo o delegado Paulo Mavignier, além do ofício da Semsa solicitando investigações, a Polícia Civil recebeu também uma denúncia anônima sobre o desvio no Delog para abastecer drogarias em Iranduba. As investigações duraram dois meses.
“Conseguimos identificar um quadrilha infiltrada dentro do Departamento. Ali tinham sete terceirizados que agiam com funções predeterminadas e repartiam o lucro de forma igualitária, sendo que as esposas faziam o contato com os receptadores. Para estes foram expedidos mandado de busca e apreensão pela juíza Melissa Sanches, da segunda Vara Criminal de Iranduba. Eles vão responder pelos crimes de peculato, associação criminosa, furto qualificado e recepção”, explicou.
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