
Funcionário do Compaj começa a cobrir com tinta o símbolo do Compensão, que Zé Roberto mandou pintar antes de ser transferido para presídio federal. A nova administração penitenciária mostra que ele já mandou, mas agora não manda mais na cadeia. Fotos: SSP-AM/ Divulgação
O Compensão, time campeão do Peladão em 2006 e 2008 e que aparece entre os primeiros da disputa, por vários anos, tem o escudo pintado na parede da cela que era ocupada pelo líder do crime organizado no Amazonas, José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa. Ele fundou e comanda com mão de ferro a organização criminosa Família do Norte (FDN). As fotos, mostrando a presença ostensiva do Compensão, foram liberadas pela nova gestão do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), de onde Zé Roberto saiu para o presídio federal de Catanduvas (PR), no qual está recolhido.
O escudo do time de futebol, que reúne jogadores do bairro da Compensa mas consegue fazer uma espécie de seleção entre os que se destacam, ano após ano, aparece também na quadra de esportes do Compaj. A nova administração penitenciária do Estado decidiu pintar as paredes e a quadra que tinham as marcas da paixão futebolística do criminoso, também torcedor do Botafogo-RJ.
As regalias de Zé Roberto sempre foram denunciadas, mas nunca comprovadas. Ele seria uma espécie de “inibidor” da criminalidade nas ruas e negociava para diminuir a temperatura, quando o número de crimes, principalmente assaltos e assassinatos, crescia muito. “O maior medo dos dirigentes da segurança pública no Amazonas é que ele (Zé Roberto) mandasse tocar o ‘f..’. Isso significaria que todos os criminosos ligados à FDN, com um arsenal de armas de fogo incalculável, sairiam pelas ruas matando e assaltando, indiscriminadamente, em pontos tão diferentes da cidade que a polícia ficaria tonta”, disse um policial, ouvido pelo portal.

As marcas do Compensão também são retiradas da quadra de esportes do presídio
O líder da FDN, amante do futebol, articulava de dentro do presídio a contratação de jogadores, treinadores e outras formas de estruturação do Compensão. Ele só não conseguia influir na organização do Peladão, conduzida com mão firme pelo jornalista e radialista Arnaldo Santos. Por isso era obrigado a contratar jogadores a salários altos, alguns dos quais melhor remunerados que profissionais do futebol amazonense.
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