
Vice-prefeito de Maraã, Luiz Magno, espera que mandado de segurança, impetrado no TJAM, possa garantir sua posse ainda nesta sexta-feira (04/03)
O vice-prefeito de Maraã, Luiz Magno Moraes (PMDB), tido pela polícia como principal suspeito na morte do prefeito Cícero Lopes (PROS), no domingo (28/02), quebrou pela primeira vez o silêncio e falou hoje (03/02) ao portal. Ele revelou que um primo dele e um comerciante, com quem também tem ligações, estão presos. “Qualquer um que tenha sido culpado pela morte terá alguma ligação comigo. Conheço e tenho alguma relação com quase todo mundo na cidade”, afirma. Outro suspeito, conhecido como Zé, desapareceu desde o dia do crime, dizendo à esposa que ia pescar, e a polícia o procura como importante elo para a elucidação do assassinato.
Veja a íntegra da entrevista de Luiz Magno Moraes ao portal:
www.portaldomarcossantos.com.br – O senhor está na delegacia, sob proteção policial, ou já está em casa?
Luiz Magno Moraes – Estão publicando muitas coisas que não são verdadeiras. Quando eu soube do crime, no domingo (28/02), fui lá na delegacia, à noite, pedir proteção. Passei a noite lá. Agora tenho segurança policial na minha casa e estou recebendo as pessoas normalmente.
Portal – O senhor tem sido apontado como principal suspeito do assassinato do prefeito Cícero Lopes. Vocês eram inimigos políticos?
Luiz Magno – Tem sido dito, repito, muita coisa que não é verdadeira. Falaram que um primo meu teria confessado o crime, mas não é verdade. Tem duas pessoas detidas, não presas, acusadas do assassinato. Um é esse meu parente (Lazaro, primo) e outro um comerciante ligado a mim (Aldemir). Eles estão detidos por conversas que surgiram aí. Tem também um rapaz foragido, que ninguém sabe onde está. Ele disse à esposa que ia pescar, depois do fato, e sumiu. Tudo indica que tem alguma culpa no cartório.
Portal – E esse outro suspeito tem alguma ligação com o senhor?
Luiz Magno – Sim. Tem uma relação muito próxima comigo. É até meu eleitor fiel. Os dois presos também são muito próximos. Qualquer pessoa que seja acusada da morte, em Maraã, dificilmente vai deixar de ter alguma ligação comigo. Eu sou político. Conheço e me relaciono com quase todo mundo. Mas não tenho necessidade de fazer isso (matar o prefeito). Não tinha boa relação com ele, mas não a ponto de fazer isso. O problema é que estou na frente das pesquisas para a eleição deste ano e a oposição está com medo de mim.
Portal – Há uma interpretação da reforma eleitoral de que, a partir da eleição deste ano, não valerá a reeleição. Se for assim, o senhor teria mandato só até o fim do ano. Assume mesmo assim?
Luiz Magno – Os advogados me dizem que a reeleição só acaba em 2021. Vou assumir, de qualquer maneira, porque é questão de honra. Quero assumir. Se não assumir perco o mandato de vice-prefeito.
Portal – O senhor tem problema com o presidente da Câmara de Maraã, Bethuel Pereira Brízido Filho (PSDC)?
Luiz Magno – Ele está dificultando as coisas. Quer dar um golpe. Não diz nada, mas só me boicota. Até hoje não consegui tomar posse. A presidência da Câmara está me enrolando. Todo dia é uma notícia diferente nos jornais. Só posso dizer que não tenho culpa. Essa pessoa, o culpado, tem que aparecer e aí a polícia vai comprovar pelas digitais a participação dela.
Portal – O senhor pretende entrar com alguma medida judicial para garantir sua posse?
Luiz Magno – Sim. Amanhã (04/03) espero ter em mãos um mandado de segurança, que está sendo julgado no Tribunal de Justiça, para que eu seja empossado de acordo com a Lei Orgânica do Município. Os meus advogados (Monte Jr. e Carlos Cunha) estão trabalhando para que a lei seja cumprida.
Portal – O prefeito Cícero Lopes tinha outro inimigo, além do senhor, que pudesse chegar a matá-lo?
Luiz Magno – Ele (o prefeito) tinha um temperamento muito forte. Falava muito palavrão. Nos acertos financeiros era muito coronel de barranco. Constrangia as pessoas. Essas coisas podem ter ocasionado essa morte. Ou então foi uma armação para acabar com nós dois, matando ele e acabando comigo politicamente.
Portal – Com a morte do prefeito e o senhor, como afirma, aparecendo em primeiro lugar nas pesquisas, qual seria seu adversário mais forte?
Luiz Magno – É a Dona Vera (PDT), pelo que dizem as pesquisas.
Portal – O senhor foi informado de a polícia ter encontrado uma espingarda, perto do local do crime, que teria sido usada no assassinato?
Luiz Magno – Sim. Acharam depois de três dias, mas ninguém, que tenha as digitais nela, foi encontrado até agora.
Portal – Qual é sua avaliação da situação geral de Maraã? Quais são seus planos, caso assuma a Prefeitura?
Luiz Magno – Planejo fazer uma auditoria, uma revisão geral. Quero dar continuidade aos trabalhos do prefeito, sem mexer com as famílias, sem perseguir. O mandato é dele e vou respeitar isso. Sou o bode expiatório de um crime e espero saber da verdade, que tudo seja esclarecido e, assim, a gente possa trabalhar.
Veja mais notícias em Política