10/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Vazamento de petróleo no Peru, denunciado por Leonardo DiCaprio, chega ao Marañon, que forma o rio Amazonas

Publicado em 29 de fevereiro, 2016

peru-vazamento-oleo

Ribeirinhos foram afetados ao longo de vários rios da Amazônia Peruana

O governo do Peru decretou, neste domingo (28/02), Estado de Emergência em 16 comunidades da Amazônia. Todas foram afetadas por vazamentos de óleo na região de Loreto, no Nordeste do país, ocorridos em 25/01 e 04/02. O ministro da Saúde do Peru, Aníbal Velásquez, já havia declarado emergência sanitária.

O desastre ecológico, ocorrido no Oleoduto Norperuano, foi denunciado hoje (29/02) por Leonardo DiCaprio, ganhador do Oscar de melhor ator na cerimônia realizada domingo. Ele pediu aos seguidores do FaceBook e Twitter que participem da coleta de assinaturas da organização americana Amazon Watch, para forçar o primeiro-ministro peruano, Pedro Cateriano, a proteger as comunidades locais e indígenas afetadas pelos vazamentos.

O óleo chegou ao rio Mayuriaga, a 13 quilômetros do ponto onde aconteceu o escape, segundo relato de testemunhas, alcançando o rio Morona, afluente do Marañón, um dos que formam o Amazonas.

A petrolífera pública Petroperú, que opera o Oleoduto Norperuano, não quantificou os barris perdidos em seu relatório de emergência ambiental, apresentado ao Organismo de Avaliação e Fiscalização Ambiental (Oefa). O ministro Velásquez afirmou que coordenou com o Ministério da Habitação o envio à região de 1,5 mil profissionais com materiais para tratar, purificar e armazenar a água.

O governador de Loreto, Fernando Meléndez, declarou que o vazamento de petróleo provocou um “massacre ambiental” e acusou a Petroperú de ser a responsável pelo problema e de negligência.

No vazamento similar de 25 de janeiro, à altura do quilômetro 441 do mesmo oleoduto, em Villa Hermosa, também na Amazônia Peruana, de 2 mil a 3 mil barris de petróleo alcançaram o rio Inayo e depois o rio Chiriaco. O Oleoduto Norperuano transporta o petróleo extraído na floresta até o terminal portuário de Bayóvar, no Oceano Pacífico, ao longo de 854 quilômetros de encanamentos, com cinco estações que podem armazenar até 3,5 milhões de barris no total.

DiCaprio, ao receber a estatueta de Hollywood, disse em seu discurso que “a mudança climática é algo real, a ameaça mais urgente enfrentada por nossa espécie”, e estimulou os líderes políticos a atuar “em nome da humanidade, dos povos indígenas e das milhões de pessoas afetadas”.

Os dois vazamentos ocorridos na Amazônia Peruana deixaram 250 feridos, em sua maioria por cefaleias causadas pelo forte cheiro do petróleo, e 5,7 mil afetados, segundo os últimos balanços apresentados pelo Instituto Nacional de Defesa Civil (Indeci).

A Petroperú recebeu multa de US$ 3,59 milhões, imposta pelo Organismo Supervisor do Investimento em Energia e Mineração (Osinergmin) por não manter a integridade do oleoduto.

Um grupo defensor dos direitos dos indígenas informou que desde 2010 ocorreram 11 vazamentos de petróleo na Amazônia Peruana. O oleoduto foi construído na década de 1970 e os vazamentos ocorreram por deficiência na infraestrutura.

 

Amazonas

O deputado estadual Luiz Castro (PPS) enviou expediente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Ibama) e ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), indagando sobre as medidas de vigilância e proteção na fronteira brasileira do Estado com o Peru. Ele reconheceu que o desastre ocorreu distante do rio Amazonas, mas disse que o alerta é necessário.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.