Cumprimentando o jornalista e amigo Marcos Santos pelo corajoso artigo/opinião publicado em seu blog, intitulado “O erro histórico dos responsáveis pelo desmonte-canibalismo do Festival Folclórico de Parintins”, rogo vênia, apenas, para fazer um pequeno adendo, sem, contudo, desdizer o que muito bem foi dito no texto de sua autoria.
De início, e como o texto fala na “morte progressiva da galinha dos ovos de ouro”, ancoro meu posicionamento na vetusta pergunta:
– Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?
No caso da decadência do boi de Parintins, parafraseio a pergunta para:
– Quem nasceu primeiro, a redução de recursos pelo Governo do Estado ou o descrédito do Festival pelas empresas patrocinadoras, por conta da veiculada suspeita de manipulação de resultados que há anos ronda a disputa dos bois?
Em outras palavras:
– Onde mais se gasta, no cachê dos itens dos bois ou na manipulação do resultado?
Embora não me arrisque responder, afirmo que não podemos ser hipócritas e acreditar que nos últimos anos o resultado da disputa do Festival tenha sido consequência direta da beleza da apresentação de cada agremiação, ainda que não seja correto afirmar, reconheço, que o boi mais luxuoso é o que ganha a disputa.
E isso é tão notório que até se chegou a divulgar o “cachê” de suposto lobista, contratado exclusivamente para interceder junto aos jurados e garantir a vitória do boi contratante. E, diga-se de passagem, lobista este contratado com cachê bem superior ao do nosso imperador David Assayag…
Não se pode negar, também, que a suspeita de manipulação do resultado se tornou tão evidente que vem afastando gradativamente torcedores e turistas não só do festival folclórico em si, mas também de todos os outros eventos bovinos. Ora, ainda que os milhões gastos por um boi em alegorias e adereços de palha suplantem com a vitória os milhões gastos pelo outro boi em metalon e adereços performáticos, não é plausível exigir-se que o espectador do nosso festival acredite que “Papai Noel” distribui, em pleno bumbódromo, presentes no mês de junho, sabido que na quadra junina não reina o Papai Noel, mas sim o Mapinguari e a Cobra Grande, dentre outros.
Do mesmo modo, e isso também é um pedaço do mesmo problema, eu e você, amigo Marcos, somos testemunhas do quanto nossas toadas outrora tocavam nas rádios de nossa cidade, o que, sem ousar apontar culpados, vemos que não mais ocorre nos dias atuais.
Por fim, e contrastando com o ligeiro parnasianismo de Lunik 9, de Gilberto Gil, citada em seu artigo, peço vênia para encerrar com versos de nosso poeta Braulino, que caem como luva para explicar e complementar, também em relação à baixa estima de nossas toadas, o processo de autofagia de que fala seu texto:
“As barrancas de terras caídas, faz barrento o nosso rio-mar…”.
Parabéns pelo texto!
Saudações folclóricas!
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