
A Polícia Federal cumpriu 17 mandados de prisão durante a operação Construcrime. Foto: José Rodrigues.
A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal do Brasil, deflagrou nesta quinta-feira (03/12) a Operação Construcrime, para desarticular grupo especializado no uso de empresas de fachada para obtenção de financiamentos em instituições financeiras, especialmente na Caixa Econômica Federal em Manaus (AM).
Além do valor aproximado de R$ 4,8 milhões comprovadamente desviado da Caixa Econômica Federal, as investigações apontam que as empresas de fachada do grupo investigado movimentaram outros R$ 10 milhões, no período compreendido entre 2013 e 2014. Os números de 2015 ainda não foram consolidados.
Participam da operação 20 servidores da Receita Federal e 137 policiais federais, que deram cumprimento a 17 mandados de prisão e a 24 de busca e apreensão, em empresas e residências de suspeitos, além de 03 conduções coercitivas.
As investigações tiveram início a partir da identificação pela Caixa Econômica Federal de um grupo de empresas inadimplentes em diversas operações de crédito. O principal objetivo da operação é desarticular a organização, atingindo os reais beneficiários do esquema, o qual conta com a participação de empresários, contadores, despachantes e outros servidores públicos.
Com o avanço das investigações, ficou evidenciada a utilização intensiva de empresas de fachada para obtenção de financiamentos junto a instituições financeiras. A organização investigada fazia uso de documentação falsa ou fraudada, como carteiras de identidade, CPF, contratos sociais, balancetes, declarações de imposto de renda e notas fiscais frias.
Para compor o quadro societário das empresas eram utilizadas pessoas (conhecidas como “laranjas”), indivíduos que sequer existiam e até falecidos.
Após o crédito dos financiamentos, parte dos valores era sacada e outra era transferida para empresas do grupo para posterior utilização. Foi detectado, ainda, nos últimos financiamentos concedidos às empresas envolvidas, que parcela dos recursos era utilizada para quitar verbas em atraso dos primeiros empréstimos concedidos, visando dissimular a inadimplência e gerando uma espécie de “pirâmide” que ruiu com a detecção do esquema fraudulento.
O nome da operação remete ao fato da atividade declarada pela maioria das empresas envolvidas ser a de comércio de material de construção.
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