02/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Apologia ao Caco

Publicado em 27 de novembro, 2015

Era o início da década de 1990 – e lá se vão quase 25 anos – quando conheci o Mestre Valois, não o professor de direito e advogado, que na época era vice-prefeito de Manaus, mas o filho, Luís Carlos Honório de Valois Coelho. Um lutador de Jiu-Jitsu excepcional, de apurada técnica, porém, um mestre duro com seus pupilos. Por quase nada distribuía esporros e até cascudos. Exigia além do máximo, notadamente daqueles que, como eu, só queriam praticar a arte suave e nada mais. Mesmo assim, suas aulas eram concorridas. Pena que deixou Manaus para vestir a toga, levando consigo o seu Jiu-Jitsu para formar lutadores na hinterlândia. Eis que o Mestre (de Jiu-Jitsu) tornou-se Doutor (em Direito). Os vários anos de atuação quase franciscana na Vara de Execuções Penais (VEP), que assumiu ao voltar para Manaus, humanizou por completo o casca-grossa, ao contrário do que se espera de quem lida diariamente com pessoas tidas no meio social como restolho. De longe acompanhei seu trabalho, sem nunca ouvir um ato de covardia ou agressão em face de um interno do sistema prisional. E não poderia ser diferente, sendo filho de quem é. No entanto, fiquei surpreso com a notícia de que o nome do exemplar juiz estava circulando graciosamente entre xerifes do sistema prisional, pois há pouco tempo os mesmos meios de comunicação noticiaram um plano para mata-lo, descoberto pela Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência do Amazonas (SEAI), o que o levou a submeter-se à perda de sua liberdade plena de ir e vir, passando a ser protegido por agentes de segurança. Só posso concluir, então, que o mais recente episódio envolvendo o Dr. Luis Carlos Valois foi novamente uma tentativa de mata-lo, não mais fisicamente, e, sim, por meio daquilo que constitui sua maior riqueza, a honra. Infelizmente, nada poderia evitar tal ataque, que só não se concretizou porque, suponho, foi incapaz de ultrapassar a casca-grossa que envolve o Caco, como é chamado carinhosamente pelo pai. Sei que provavelmente ele não vai ler o que aqui escrevo, porém, é dever de qualquer cidadão amazonense defender quem, a exemplo do juiz em questão, exerce seu mister exclusivamente em prol da melhoria de nossa sociedade.

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Autor
Jayme Pereira Jr.

* Jayme Pereira Jr. é advogado.

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