A venda de 240 lotes de terras, entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, nos loteamentos conjuntos Corujão 1, 2 e 3, e Parque Rio Negro, em Iranduba, foi feita dentro do Projeto Integrado de Colonização (PIC) Bela Vista, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Um total de 703 lotes foram preparados, com danos ambientais provocados pelo desmatamento de 78 mil hectares de floresta. A revelação foi feita pelo delegado Regional de Investigações e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (DRCOR-AM), Franco Perazzoni, hoje (15/07), após a Operação Bela Vista, que desarticulou o esquema.
“Estamos trabalhando nisso desde 2013 (10/09), quando a grilagem de terras do Incra foi flagrada. O responsável pelo esquema foi preso em flagrante, na época, mas liberado após pagamento de fiança (R$ 18 mil). Só que montou duas imobiliárias e voltou a praticar o mesmo crime”, explicou Perazzoni.
A PF não revela os nomes de envolvidos em operações desse tipo, mas o portal descobriu que o principal acusado da venda ilegal de lotes nas terras federais é José Ivo Ferreira Lima, 55. O advogado dele esteve hoje (15/07) na sede da PF, tomou ciência do inquérito e o acusado deve se apresentar amanhã à polícia.
Operação Bela Vista
A Operação Bela Vista ocorreu entre 6h e 16h de hoje. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, para juntar provas documentais, e de prisão de José Ivo, emitidos há uma semana pela 4ª Vara Federal do Amazonas, cuja titular é a juíza Ana Paula Serizawa Silva Podedworny.
Quatro sócios do acusado, dois em cada uma das imobiliárias que mantém em Iranduba, foram ouvidos e liberados. A PF pediu bloqueio de R$ 3,5 milhões em bens das empresas e dos proprietários, em contas bancárias, veículos e imóveis, sendo R$ 3,2 pelos lotes vendidos e R$ 300 mil pelo dano ambiental. A área fica no KM-59 da rodovia AM-070 (Manaus-Manacapuru), ainda no Município de Iranduba.
“O local tem casas de veraneio muito boas”, explica o delegado Franco Perazzoni. A PF, cujo inquérito cuida da parte criminal, encaminhará o relatório fundiário e emprestará provas para sugerir à Advocacia Geral da União (AGU), Incra e Ministério Público Federal (MPF), além da própria Justiça Federal, que requeira a reintegração de posse dos lotes vendidos, em processos cíveis.
Hoje, durante a ação, foram apreendidos computadores, contratos e documentos referentes à venda dos imóveis.

Quatro sócios do principal acusado da venda ilegal de terras foram ouvidos na sede da PF hoje (15/07) e liberados em seguida

A questão fundiária em Iranduba se complica. Polícia Militar, com Batalhão de Choque, teve que interferir duramente para evitar crescimento de invasão logo após a ponte Rio Negro