19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Sefaz libera mais da metade da carga presa por causa da greve da Suframa

Publicado em 08 de julho, 2015

Em cinco dias, mais da metade das 950 unidades de carga (contêineres e carretas) que estavam dependendo de vistoria da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) foram liberadas por fiscais da Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM). A força-tarefa, determinada pelo governador José Melo na última sexta-feira (3), seguiu decisão da 3ª Vara da Justiça Federal, que autorizou a vistoria realizada pela fazenda estadual como também válida pela autarquia federal enquanto o movimento grevista perdurar. Os servidores da Suframa estão em greve há 47 dias.

A decisão judicial, proferida na noite da última quinta-feira (2), com notificação à Sefaz no dia seguinte, 3 de julho, foi em atendimento à ação movida pelo Governo do Estado, para que a economia do Amazonas não pagasse um preço ainda maior devido ao atraso na liberação de cargas para a indústria e sobretudo ao comércio. Nesse período de greve da Suframa, o Estado deixou de recolher aos cofres públicos pelo menos R$ 150 milhões em ICMS, o que agravou a queda na receita em razão da crise econômica pela qual passa o País.

carreta

Durante a greve, 950 carretas ficaram esperando a liberação da carga. Foto: José Rodrigues.

O secretário de Estado da Fazenda, Afonso Lobo, informa que desde sábado (4), quando a Secretaria passou a ter autonomia para liberar as cargas pendentes de vistoria pela Suframa, já liberou 500 carretas e contêineres das 950 que haviam sido represadas nos portos, segundo informações do Sindicato das Transportadoras (Setcam). “Em atenção à determinação do governador José Melo, montamos um plantão no fim de semana assim que fomos notificados pela Justiça. Acreditamos que até sexta-feira tenhamos regularizado essa situação”, destacou o secretário.

O secretário Executivo da Receita da Sefaz-AM, Jorge Jatahy, explica que a velocidade da liberação das cargas acumuladas durante a greve da Suframa só não é maior por conta da estrutura das transportadoras, que estão operando no limite operacional para realizar a entrega das cargas, sobretudo ao setor comercial. “Ainda assim, segundo o próprio Sindicato das Transportadoras, toda a situação deverá ser normalizada nos próximos dias. Nesse período emergencial, triplicamos nosso efetivo de auditores fiscais para a vistoria das cargas”, ressaltou Jatahy.

Conforme decisão judicial, que excluiu a Suframa do processo de vistoria das mercadorias que ingressam na Zona Franca de Manaus, a Sefaz comunica à Suframa todas as notas fiscais efetivamente vistoriadas. Essas mesmas informações estão disponíveis ao Ministério Público e à própria Justiça como forma de manter a maior transparência possível do processo.

Medicamentos

Apesar da decisão da Justiça Federal de que medicamentos deveriam ter prioridade na liberação pela Suframa, mesmo durante a greve da autarquia, insumos utilizados na rede pública de saúde do Estado, como sondas e luvas cirúrgicas ficaram retidas nos portos e transportadoras.

É o que mostram, por exemplo, as notas fiscais eletrônicas de número 23156, 23159 e 21068, referentes a produtos destinados à rede pública de saúde do Estado. A de número 23509, referente à aquisição de equipo para nutrição enteral, atóxica, estéril, apirogênico, descartável, extensão em PVC na cor azul, embalagem individual, conforme descrição do produto, foi enviada à Suframa no dia 15 de abril e ficou retida durante todo o período de greve da Suframa.

Além de sondas e luvas cirúrgicas, produtos usados nos hospitais e prontos-socorros da rede estadual como fraldas geriátricas e compressas cirúrgicas também tiveram atraso na liberação ao chegarem a Manaus devido à greve da Suframa, situação que levou o Governo do Amazonas a realizar compras emergenciais para que a falta desses itens não agravasse o atendimento à população.

 

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