O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) divulgou na tarde desta terça-feira (16/06) uma carta aberta à imprensa amazonense, posicionando-se contrário à greve dos professores da instituição.
A carta afirma que a Assembleia Geral realizada pela Adua foi um ‘golpe antidemocrático’, já que a maioria dos professores de Manaus foi contrária à greve e, diante da iminente derrota, houve manipulação por parte da direção da entidade.
O documento afirma ainda que os alunos dos cursos de Medicina, Enfermagem, Farmácia, Odontologia, Direito e as Faculdades de Estudos Sociais (FES) e de Tecnologia (FT) estão tendo aulas normalmente.
O 1º Diretor Financeiro do DCE-UFAM, André Felipe Matos, informa que estão sendo estudadas medidas contra a greve, como recorrer ao Ministério Público Federal ou ainda mobilizar as unidades de ensino e os centros acadêmicos pela não adesão à paralisação.
Leia a íntegra da carta:
CARTA ABERTA À IMPRENSA AMAZONENSE
Nós, diretores do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Amazonas, devidamente eleitos com 1.277 votos no último dia 27 de maio de 2015, e devidamente empossados pelo Conselho de Entidades de Base (CEB) do dia 10 de julho de 2015, no auditório Rio Amazonas, manifestamos publicamente nosso posicionamento contra a greve e contra o golpe e manipulações antidemocráticas realizadas pela direção da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA).
No dia 09 de julho de 2015, houve a Assembleia Geral para deflagração da greve no Auditório Eulálio Chaves, com votação expressiva da maioria dos professores sendo contrários à greve, até o dado momento contabilizando somente os professores da capital, tínhamos 257 CONTRA X 184 A FAVOR. Percebendo a iminente derrota, os diretores da ADUA, utilizaram artifícios antidemocráticos e ações autoritárias, desrespeitando a vontade da maioria dos professores, convocou de maneira sorrateira a inclusão dos votos dos professores do interior, o que acabou culminando na ilegal deflagração da greve, por desrespeitar o próprio estatuto da ADUA.
Vale elucidar, que os professores e alunos das unidades acadêmicas, como as Unidades Externas (Medicina, Enfermagem, Farmácia, Odontologia), Direito, Faculdade de Estudos Sociais (FES) e Faculdade de Tecnologia (FT) irão continuar tendo aula normalmente e este DCE continuará na luta para que até a data do Conselho Universitário, 75% da grade curricular das matérias sejam concluídas, inviabilizando dessa maneira a invalidação deste período acadêmico corrente.
O posicionamento deste Diretório é respaldado por consultas feitas com os estudantes das mais variadas unidades, como a Faculdade de Tecnologia, que de 840 estudantes consultados, 800 são contrários à greve. Qualquer estudante que expresse sua opinião publicamente, expressa sua opinião, pois a única entidade que legalmente pode falar em nome de todos os estudantes da Universidade Federal do Amazonas é o DCE.
Respeitamos a luta por melhores condições profissionais para os professores e também por melhorias tanto na educação pública brasileira como um todo, quanto melhorias nas universidades federais, mas entendemos que conjunturalmente não seja o melhor momento para uma greve, que prejudica diretamente os estudantes.
Nós, estudantes não podemos ser prejudicados por medidas irresponsáveis de um Governo Federal corrupto, irresponsável e que envergonha o povo brasileiro. Nunca antes na história desse país, vimos um governo que prejudica tanto a educação, recentemente decidiu cortar 9 bilhões da educação. Curioso é perceber que que muitos indivíduos que hoje esbravejam posição favorável à greve, são as mesmas pessoas responsáveis em defender e apoiar este governo em período eleitoral. Antes de tudo, o que deve parar na educação brasileira é a hipocrisia e o joguete politico.
Continuaremos firme no posicionamento de defender os interesses dos estudantes desta centenária e respeitada universidade, prezando sempre pela democracia e por uma universidade mais justa e eficiente para toda a sociedade.
Manaus, 16 de junho de 2015.
ANDRÉ FELIPE MORAIS MATOS
1º Diretor Financeiro – DCE/UFAM
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