A prisão, sexta-feira (22/04), de um empresário paulista, no porto da Ceasa, revela um dos esquemas de roubo e fraude que está se reproduzindo às centenas em Manaus. O empresário, José Rosinaldo Felix da Silva, embarcava dois carros roubados em uma carreta do tipo cegonha que seguiria de balsa até Belém e de lá para São Paulo.
Os carros, um Golf e uma Saveiro, foram comprados por Rosinaldo ao valor de R$ 10 mil cada. Estavam com placas e documentos clonados, prontos para passarem pela fiscalização superficial de rotina. Agentes da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai) e da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos só conseguiram perceber a fraude porque estavam seguindo os carros e fizeram a verificação do número do chassis, que ainda não havia sido adulterado.
Foram presos os motoristas dos carros, os irmãos Marcio de Castro Chagas e Marcos Castro Chagas, que haviam vendido os carros roubados.
O Golf, por exemplo, pertence a um funcionário do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e foi roubado na chegada ao trabalho. Dois homens, armados, renderam o proprietário e levaram o veículo, há cerca de um mês. Ele havia pago apenas três prestações.
Esquema
Uma fonte do blog afirmou que os policiais estão de mãos atadas para enfrentar o roubo de carros, cada vez mais ousado em Manaus. “Havia um documento que qualquer veículo era obrigado a obter, uma espécie de certidão negativa, junto à Polícia Civil. Mas, devido aos desvios do dinheiro pago para a obtenção do documento, o procedimento foi cancelado. Agora, as cegonhas saem lotadas de carros roubados, com placas e documentos clonados, todos os dias, rumo a São Paulo e outras capitais”, disse a fonte.
O negócio se tornou tão lucrativo que empresários paulistas, como o que foi preso sexta-feira, estão vindo a Manaus para comprar os veículos a preços muito baixos e revendê-los em São Paulo. “A fiscalização de rotina não checa número de chassis, que eles demoram mais a falsificar, mas até isso as quadrilhas estão falsificando. Só uma checagem completa, que poderia ser feita na hora da expedição desse documento, permitiria dificultar a saída do roubo e daria armas para a polícia agir”, disse a fonte.
Outro golpe das quadrilhas de carros é a compra de carros alienados. “Depois de pagar as primeiras prestações, o sujeito vende o carro e diz que foi roubado, parando de pagar. A seguradora ou o banco vão atrás do carro e nunca mais encontram, porque ele é levado para outros Estados com documentos falsos”, revela.
São esses veículos, roubados ou alienados, que lotam as carretas cegonhas saindo de Manaus. Elas chegam trazendo carros novos, para as concessionárias, e voltariam vazias. Os motoristas ficam no porto da Ceasa esperando frete e é lá que são contatados pelos ladrões para levar os carros roubados. O frete até São Paulo sai por, no máximo, R$ 1,5 mil.

Marcos (foto) e o irmão Márcio estavam dirigindo os carros e quando os deixaram dentro da cegonha a polícia chegou

Rosinaldo veio de São Paulo especialmente para comprar os carros roubados. Ele pagou R$ 10 mil por cada um, uma pechincha