21/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Chega de trotes!

Publicado em 20 de maio, 2015

Quanto custa ser irresponsável, negligente e mal educado? Talvez pra quem empregue essa prática não haja custo de maior expressão, mas para quem está do outro lado, para quem efetivamente sofre o dano há, inexoravelmente, não apenas um custo, um valor monetário, um prejuízo, mas várias oportunidades de se estabelecer sequelas e vícios, o que é bem pior.

Apesar da gama de normas e padrões de conduta discutidas e estabelecidas pela sociedade, a cada dia cresce o número de infratores que, a bel prazer, vivem se divertindo maquiavelicamente, sem ao menos se importar ou imaginar que um dia poderá ser o alvo de um abominável trote ou precisar de um serviço ou bem público, e não terá sua necessidade atendida.

Bem mais que pichar, quebrar ou inutilizar, passar trote para os serviços que servem para atender as emergências da população causa um prejuízo implícito aos cofres públicos, pois os desgastes das viaturas e ambulâncias e o desgaste emocional dos policiais, bombeiros ou enfermeiros não estão expostos, nesse primeiro momento.

Sabe-se que por causa de um trote para a Polícia, Samu ou Corpo de Bombeiros muito dinheiro é jogado fora, quer seja pelos equipamentos utilizados ou no pagamento de pessoal para atender às falsas emergências. O que fazer, então? De plano, a primeira ideia que logo vem à cabeça, na tentativa de enfrentar essas atitudes reprovadas pela sociedade, passa pela escola. Mas não reside apenas na escola fórmula para exterminar esses tipos de atitudes e manifestações marginais. Os pais, que muitas vezes acham bonitinho ver seus filhos praticando “pequenos deslizes”, teriam importante missão no combate a estas práticas.

Educar é preparar para a vida. E o que poderemos esperar de um país onde muitos cruzam os braços e acham graça da desgraça alheia? O que esperar dos futuros mandatários, quando estes na infância tiveram as virtudes deturpadas por péssimos exemplos. O que esperar de uma multidão que precisa de ídolos para seguir em frente, tendo o tal ídolo praticado algum tipo de deslize?

Às vezes a sobrecarga de disciplinas contidas no currículo escolar, independentemente de ser instituição pública ou particular, favorece a formação do aluno com o estrito interesse de dominar o conhecimento, com claro objetivo de apenas obter nota suficiente para ser aprovado e, por conseguinte, ter direito a um diploma que supostamente o credenciará a um bom lugar no concorrido mercado de trabalho. É nesse instante que se estabelece uma lacuna entre a formação de mão-de-obra, pura e simplesmente, e o cidadão preparado para a vida, no seu mais amplo sentido.

O poder público também tem que agir coibindo tal prática, já que os números dos telefones estão registrados nas chamadas. A omissão também é nociva. Só reclamar não adianta nada. O caminho seria o da notificação destes pais “responsáveis” por estas linhas telefônicas. Em caso de reincidência, alguma punição na forma da lei deveria ser aplicada. Punição também é valida.

Não podemos esquecer a possibilidade de empreendermos um verdadeiro mutirão cívico envolvendo escolas, famílias, igrejas, meios de comunicação, políticos e artistas, que chegariam ao público através de seu carisma e popularidade, visando o redirecionamento da pujante energia dos jovens, através da conscientização e orientação para o exercício da solidariedade. Respeito pelo ser humano é tudo.

 

*Augusto Bernardo Cecílio é auditor fiscal da Sefaz-AM, educador, coordenador do Programa de Educação Fiscal no Amazonas e diretor da Escola de Administração Tributária do Sindifisco-AM. 

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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