Marcelaine dos Santos Schumman e Karen Arévalo Marques, ambas acusadas pelo Ministério Público de tentativa de homicídio contra a estudante de Direito, Denise Almeida da Silva, vão sair da prisão. As duas serão liberadas na manhã desta terça-feira (17/03). A decisão foi do juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri, que concedeu medida cautelar diversa de prisão as duas acusadas, na tarde desta segunda-feira (16), no Fórum Henoch Reis. Os acusados Charles MacDonald Lopes Castelo Branco e Rafael Leal dos Santos, envolvidos no mesmo crime, continuam presos.

Marcelaine esteve no Fórum Henoch Reis, mas não foi ouvida na acareação por manter a versão do seu depoimento
Antony explica que Charles e Rafael respondem a outras ações penais e, por isso, não foram beneficiados com a mesma decisão. Charles responde a um processo por homicídio também no 3º Tribunal do Júri e Rafael cumpre pena alternativa na Vara de Execuções de Medidas e Penas Alternativas (Vemepa).
“Tenho um posicionamento, e isso é para todos os réus, de todos os casos, que quando o acusado responde a outro processo criminal, outra ação penal, eu não solto. Analisando a folha corrida dos acusados, eu verifiquei que a Marcelaine e a Karen não respondem a nenhum outro processo. Então, com a relação a Marcelaine e a Karen, eu concedi uma medida cautelar diversa da prisão”, explicou Antony.
De acordo com a decisão do magistrado, as acusadas vão precisar se apresentar ao juízo mensalmente para justificar suas atividades, não vão poder frequentar determinados lugares, e terão que usar monitoração eletrônica, que será controlada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus). “No uso da tornozeleira, elas não vão poder se ausentar de casa sem autorização judicial e vão ter que entregar o passaporte em 24 horas para evitar que viajem para o exterior”, completou Antony.
Acareação
Na manhã desta segunda-feira (16/03), o juiz Mauro Antony realizou acareação com os envolvidos no crime. Foram convocados os réus Charles Lopes Castelo Branco, Rafael Leal dos Santos, Karen Arevalo Marques, Marcos Souto, a vítima Denise Almeida da Silva, Marcos Cid Souto e os delegados Paulo Martins e Geórgia Cavalcanti, responsáveis pelo inquérito. Marcelaine esteve no Fórum Henoch Reis, mas não foi ouvida por manter a versão do seu depoimento durante as oitivas.
O pedido de acareação foi feito pelas partes. Segundo o juiz Mauro Antony, os réus Charles Lopes Castelo Branco, Rafael Leal dos Santos e Karen Arevalo alegam ter sido vítimas de tortura física e psicológica por parte dos delegados, o que foi negado pelas autoridades responsáveis. “Além disso, os advogados dos réus, alegam que a vítima seria amiga íntima da delegada Geórgia Cavalcanti, fato que foi negado pelas duas. Os advogados estão querendo viciar as investigações do inquérito. Porém, todos mantiveram suas versões durante a audiência de instrução”, disse.
O único réu não acareado foi Rafael Leal dos Santos. O magistrado explica que ele acusa Charles Lopes de ter sido contratado para fazer um serviço, porém, ambos possuem a mesma advogada conferindo assim conflito de interesse. “Existe uma versão conflitante entre eles. Devido a esse fato novo, a acareação do Rafael com os delegados será feita na sexta-feira, dia 20, às 8h, no Fórum Henoch Reis”, adiantou.
Após o confronto do Rafael com os delegados, será encerrada a instrução processual e, em seguida, será aberto para o Ministério Público para oferecer as alegações finais. “Depois disso, abrimos para a defesa oferecer as alegações finais e aí sim, somente após isso tudo, o juiz conseguirá decidir se o caso irá a júri ou não”, finalizou.
Entenda o caso
Denise Almeida da Silva foi baleada no dia 12 de novembro de 2014, no estacionamento de uma academia situada na avenida Getúlio Vargas, esquina com a rua Ramos Ferreira, Centro. Apesar de ter recebido um tiro no pescoço, ela não morreu. De acordo com as investigações da DEHS, Marcelaine Schumann teria prometida uma quantia de R$ 7 mil para os executores do crime.
Karen Arevalo Marques e Charles Mac Donald Lopes Castelo Branco foram presos no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste. Charles é acusado de negociar o crime com Marcelaine e Karen de intermediar o aluguel da arma utilizada. Já o terceiro suspeito de integrar o trio, Rafael Leal dos Santos que foi preso no município de Anori. Ele é suspeito de ter atirado contra a universitária.
Marcelaine está detida no Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDP). Ela foi presa no dia 5 de janeiro, quando retornou das férias em Miami nos Estados Unidos e teve o habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça (TJ-AM) no dia 4 de fevereiro.