03/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

As contas e os nós desamarrados que resultaram das eleições para Presidência da República e Governo do Amazonas

Publicado em 27 de outubro, 2014

Dilma é a presidente da República pelos próximos quatro anos. José Melo tem quatro anos e dois meses de gestão pela frente. Essa história ainda não tem um ponto final e esconde personagens, como o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, e o senador Eduardo Braga.

Voltar ao Congresso Nacional após uma derrota é sempre complicado. É natural que o derrotado fique cabisbaixo e demore a ver nos olhares a ele dirigidos algo além da ironia. Isso, porém, por mais doloroso que pareça, é passageiro.

A presidente Dilma não tardará a ver no senador e atual líder de seu Governo o nome ideal para costurar alianças políticas no Amazonas. Se resolver mesmo, como parece lógico, prestigiar Braga, oferecerá a ele vitória inusitada, transformando o limão da derrota eleitoral numa inesperada limonada.

O Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus não têm autonomia financeira, que até seria possível, mas com um preço eleitoral praticamente impagável – cortes de orçamento e de pessoal são muito impopulares e não há outra receita para aumentar o valor destinado ao investimento. Dilma e Braga, juntos, têm força para trazer Melo – e até Omar – para uma posição mais, digamos, “confortável”.

Melo, por seu turno, não terá nenhuma dificuldade em se distanciar de Arthur Virgílio. Pode alegar, por exemplo, que não teve o engajamento do prefeito na eleição – embora haja controvérsias quanto a isso.

Assessores de Arthur, por outro lado, afirmam que ele preparou a Prefeitura para o quadro mais negativo: vitória de Dilma e de Braga. Se Melo passar para o campo inimigo, então, muda o nome, mas o cenário é o mesmo.

Claro que todo esse xadrez político só pode ser traçado em razão da lógica dos próximos dois anos, a eleição para a Prefeitura de Manaus, e da histórica postura oposicionista de Arthur Virgílio, tucano de primeira hora e alvo de Lula. E dentro de um pragmatismo político questionável, que pode jogar Manaus num quadro lastimável nos próximos dois anos, apenando, sobretudo, a população.

O jogo já está sendo jogado.

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Autor
Marcos Santos

Marcos Santos é radialista e jornalista. Começou em rádio, narrando futebol, aos 12 anos, na Rádi...

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