O trânsito está cada vez mais caótico e o desrespeito às regras aumentou. Manaus é apenas um retrato fiel do que acontece no resto do Brasil, onde milhares de veículos são emplacados mensalmente, enquanto as vias de escoamento não acompanham tal crescimento. A redução do IPI, para agradar principalmente às montadoras e ganhar votos, surtiu efeito: trânsito parado, pessoas endividadas – num país com economia duvidosa – e os boletos dos financiamentos chegando.
Isso é apenas o começo. A falta de educação no trânsito impera, num ambiente absolutamente hostil, onde reina o veículo maior, seguindo a lei do mais forte, enquanto o poder público lava as mãos e deixa os cidadãos resolverem suas contendas entre si, com um risco muito grande de um confronto, já que praticamente as perícias acabaram para que o trânsito fluísse nas principais avenidas e evitasse engarrafamento. Mais transtorno para quem já está atormentado ou ferido e ainda tem que coletar provas, fotos, vídeos e arranjar testemunhas. Hoje a saída é registrar um boletim de ocorrência, pagar seguros cada vez mais caros e rezar para não morrer.
Não se vê, também, uma educação para o trânsito eficiente, que mostre a sua cara, que seja visível à população, que se faça presente nesse caos. A realização de “Blitz” é sempre bem vinda, mesmo que o cidadão tenha que passar certo tempo com o carro e documentação sendo averiguado, até porque temos muitos veículos com luzes queimadas, sem pisca-alerta funcionando, freios desgastados, caminhões totalmente desregulados, poluindo tudo por onde passam, além dos acidentes alcançando número cada vez maior de vitimas.
Alguém discorda? Vejamos: qual o resultado atual daquele acidente fatídico entre a caçamba e o ônibus, na Djalma Batista? “Consternou” várias autoridades e hoje ninguém fala mais nada. Vários acidentes se seguiram. Experimente dirigir na Zona Leste, onde pouco se respeita no trânsito. Os ônibus amarelos param quando e onde querem e se cruzam em “x” nas ruas e avenidas. Como aqueles motoristas conseguiram tirar suas carteiras e serem selecionados para o emprego? Talvez os empresários e os sindicatos do setor achem tudo isso muito normal. E os carros particulares sem licenciamento há anos, e motoristas sem habilitação que não saem dos bairros distantes para não serem punidos? Uma verdadeira zona de conforto.
Você não precisa ir longe e nem ser especialista para saber que motoristas não estão mais se contentando apenas em falar ao celular dirigindo. Dirigem “teclando”, conversando através das novas tecnologias e das redes sociais, matando e morrendo. Se uma autoridade do trânsito ficasse disfarçada nas principais avenidas e cruzamentos saberia do que estou falando.
Nunca é demais lembrar da importância da Lei Seca, do rigor no trato com irresponsáveis embriagados, que matam e destroem famílias, sem esquecer dos que usam maconha, cocaína ou outras drogas ao volante. Ninguém precisa esperar pelos infernais finais de semana da Avenida do Turismo para agir. A população abraça as boas iniciativas. Só não tolera o “faz de conta”, a omissão, a distribuição pura e simples de folders com poses para os repórteres, a lentidão da justiça e a impunidade.
Veja mais notícias em Colunas
* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.