O governador José Melo (PROS) e o senador Eduardo Braga (PMDB) tiveram um “duelo” pré-eleitoral, na manhã desta sexta-feira (16/05). Quase no mesmo horário, os dois realizaram eventos que deveriam mostrar as forças políticas de cada um.
Melo atraiu um público que lotou o auditório da Fieam e praticamente fechou a avenida Joaquim Nabuco, no Centro, para assistir à declaração de apoio do ex-governador Omar Aziz a sua candidatura.
Braga, ao lado do ministro de Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, entregou equipamentos agrícolas para 54 prefeituras, no porto de São Raimundo, ao lado de meia dúzia de correligionários, assessores e o solitário deputado federal Francisco Praciano. Teve prefeito que não foi, nem mandou representante. Depois, ele reuniu com pescadores, ao lado do ministro da Pesca e Aquicultura, Eduardo Lopes, além de receber o presidente nacional do Partido Republicano Brasileiro (PRB), Marcos Pereira, para anunciar a aliança deste com o PMDB na eleição deste ano. O partido é ligado à Igreja Universal e tem como principal nome no Estado o vereador Carlos Alberto.
José Melo

O Manaustrans teve trabalho para evitar que a Joaquim Nabuco ficasse intransitável. Fotos: José Rodrigues
Diante de 3,5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, o ex-governador Omar Aziz (PSD) oficializou o apoio ao governador José Melo (PROS). Marcaram presença 42 prefeitos, 14 vices, 19 lideranças indígenas, 60 lideranças comunitárias, além dos deputados federais Silas Câmara, Átila Lins, Pauderney Avelino e Carlos Souza, vereadores de Manaus, das legendas que já formalizaram a coalizão política com ele, como PTN, PSL, PR, PSC e DEM, entre outras.
Omar Aziz ressaltou que em qualquer gestão pública não existe uma vitória do “eu-sozinho”, numa farpa ao estilo centralizador do ex-governador Eduardo Braga, e conclamou seus correligionários a apoiar a pré-candidatura de Melo ao Governo do Estado. “Não pensei em uma candidatura tranquila, porque, se eu quisesse, estaria aliado ao nome que aparece nas primeiras colocações das pesquisas de intenção de voto. Espalhem a notícia do meu apoio incondicional ao professor José Melo, um caboclo nascido nas quebradas do Juruá, que é um exemplo de causa. Um homem que não leu o livro da dor. Ele viveu a dor e soube vencê-la. É desse exemplo que o Amazonas precisa e eu apoio, porque o bem sempre vence”, afirmou.
Melo fez questão de lembrar as conquistas de governo, obtidas na parceria com o líder do PSD, com quem disse ter ganho experiência na gestão da coisa pública. Ele finalizou falando da necessidade de o Estado formalizar a criação dos polos de cosméticos, gás-químico, mineral e naval, que se tornarão alternativas para potencializar a economia amazonense. “Uma eleição se vence com ajuda de Deus, de amigos e da população. Me sinto preparado para enfrentar o que vem pela frente. Agradeço a cada um dos presentes pela disposição em se prontificar a unir forças contra o que virá. Vamos à luta!”, conclamou.
O Partido Social Democrático (PSD), que tem apenas 2,5 anos de fundação, possui no Amazonas 3.702 filiados, segundo dados do sistema Filiaweb, da Justiça Eleitoral.
Em sua primeira participação eleitoral, no pleito municipal de 2012, o partido elegeu no Amazonas 64 vereadores, sendo 59 no interior e cinco na capital. Além disso, o partido comanda 24 prefeituras do interior e conta ainda com oito vice-prefeitos.
O PSD conta ainda com uma bancada de quatro deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) e é representado por três deputados federais da bancada do Amazonas, em Brasília.
Já o PROS conseguiu atrair para suas linhas 97 políticos com mandato, entre os quais 11 prefeitos, dez vices e 74 vereadores.
Eduardo Braga
Na mesma hora do evento de Melo, o senador Eduardo Braga participava da entrega de 54 caminhões-caçamba e 20 motoniveladoras a 54 municípios do Amazonas, ao lado do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. A ação faz parte do segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) do Governo Federal.
Em todo o seu discurso, o senador mostrou que está bem alinhado ao governo Dilma, da qual é líder no Senado, e não poupou elogios ao governo petista.
“A realidade do interior do Amazonas precisa ser olhada com um custo social para o Brasil. Viver no interior do Amazonas é viver diante de desafios que são quase instransponíveis”, disse o senador. Vivemos do lado da água, mas na época da seca, a água se torna um problema. Vivemos em um lugar que tem muita terra, mas não podemos desmatar. Energia elétrica só chegou nos governos de Lula e Dilma”, afirmou.

Braga, no evento feito no mesmo horário da adesão de Omar a Melo, recebeu o ministro do Desenvolvimento Agrário, o deputado federal Francisco Praciano (PT) e o ex-senador João Pedro. Fotos: Chico Batata
Ainda se referindo aos programas do Governo Federal que beneficiam o interior do Estado, lembrou do “Minha casa, minha vida”. “Esse programa está levando habitação para o homem do interior, como nunca se viu na história desse País”, disse, parafraseando o ex-presidente Lula.
O senador Eduardo Braga também elogiou a ação que vai dotar as prefeituras de municípios com menos de 50 mil habitantes, no interior do Amazonas, de equipamentos capazes de fazer a manutenção de estradas vicinais para o escoamento da produção rural. “Para as prefeituras do interior é uma mudança muito grande”, afirmou.
Ajuda para a manutenção dos equipamentos e aquisição de diesel para seu funcionamento também foi pedida pelo senador. “Pode parecer que estamos pedindo demais. Mas muitos municípios do Amazonas estão com graves problemas financeiros. Nosso governo precisa olhar com atenção para esses municípios”, disse.
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