Mais uma rodada de reuniões entre os sindicatos dos Rodoviários e das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) foi realizada nesta quarta-feira (23/04). O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, acompanhou as negociações. O grupo patronal se comprometeu em elaborar, com o auxílio do secretário municipal de Finanças, Ulisses Tapajós, a proposta para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos trabalhadores. Além da proposta da PLR, foi discutido, ainda, a questão da insalubridade, apresentada pelos trabalhadores.
Durante as mais de três horas de negociações, na casa do prefeito, ficou acordado, também, que a partir de agora os problemas de menor potencial, como a falta de bebedouros, copos descartáveis e papel higiênico nas garagens serão repassados à Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU). As demandas devem ser apresentadas ao diretor-presidente Pedro Carvalho, que ficará responsável por intermediar a solução junto ao Sinetram.

Arthur Neto acompanhou as negociações entre o Sinetram e os rodoviários. Foto:Mário Oliveira/Semcom.
Para o prefeito Arthur Neto, a discussão calorosa, em muitos momentos bastante tensa, serviu para que os sindicalistas entrem em um consenso e busquem resolver os problemas e divergências, que vêm ocasionando sucessivas greves na cidade. De acordo com o chefe do executivo municipal, é fundamental que tanto o Sindicato dos Rodoviários quanto o Sinetram cumpram o que for acordado a partir de agora.
“Os rodoviários tem uma imensa pauta com reivindicações pequenas que devem ser acordadas com intermédio da SMTU. Outras que necessitam de uma maior discussão serão analisadas com o maior rigor, porque o que queremos é que o trabalhador tenha estímulo maior para trabalhar e assim as empresas também terão um maior lucro e todos saem ganhando com isso. Mas para que isso funcione, é preciso que todos cumpram o que for acordado”, destacou.
Uma das maiores preocupações dos rodoviários é a questão da PLR. De acordo com o prefeito, a participação nos lucros será amplamente elaborada pelas empresas com o auxílio do secretário da Semef, Ulisses Tapajós, e também pela Fundação João Cabral, de Minas Gerais, especializada no seguimento.
O secretário Ulisses Tapajós apresentou aos sindicalistas o modelo implantado em empresas do Distrito Industrial, que deu certo no setor. “Nós temos certeza absoluta que vamos em pouco tempo chegar a um modelo empresarial na qual o colaborador vai contribuir para que sua empresa cresça e ele vai crescer junto. O nosso desejo é transformar, claro que unidos, um dos melhores modelos de sistema de transporte coletivo do Brasil”, comentou.
Para o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givanci Oliveira, o trabalho de intermediação da prefeitura está sendo bastante proveitoso e, segundo ele, começa da dar bons resultados para a categoria. “Graças à Deus começamos a chegar a um entendimento. Vamos esperar as próximas reuniões e acreditamos que a categoria vai sair satisfeita com esse acordo firmado entre a prefeitura e o Sinetram”, afirmou, se comprometendo a não criar novos movimentos de greve por motivos menores.
Os trabalhadores já aceitaram a proposta que prevê o reajuste salarial de 6%, reajuste de cesta básica para R$ 195 e 10% no tíquete refeição e no lanche. Novas rodadas técnicas de negociação devem acontecer nos próximos dias para continuar discutindo a PLR.
Decisão da Justiça
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) concedeu liminar impedindo que ocorra nova paralisação no sistema de transporte coletivo da cidade, como estava previsto para esta quarta-feira (23). A decisão é a da juíza Maria das Graças Alecrim Marinho, após analisar o pedido feito pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).
De acordo com a juíza, não é possível deflagrar uma greve por conta da Convenção Coletiva dos trabalhadores, pois a mesma está em curso, tendo como data limite até o próximo dia 30 para ser resolvida. Ela ainda afirma que os trabalhadores, ao decidirem pela paralisação, desrespeitam a Lei 7783/89.
“Defiro os efeitos da tutela antecipada para, de forma preventiva, considerar abusiva, se realizada, a greve programada para hoje (23), pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Manaus. Em caso de descumprimento da presente decisão judicial, fica mantida a multa diária de R$ 100 mil, além de caracterização de crime de desobediência”, assinala a juíza no despacho.
De acordo com a assessoria jurídica do Sinetram, como não houve a greve, o órgão vai pedir que a juíza do trabalho estenda o efeito da liminar, para impedir outros possíveis movimentos grevistas.
Veja mais notícias em Política