A deputada federal Rebecca Garcia (PP), o vice-prefeito de Manaus, Hissa Abrahão (PPS), e os deputados estaduais Marcelo Ramos e Marco Antônio Chico Preto (PMN), em reunião realizada sexta-feira (21/02), decidiram publicar um manifesto em protesto pela tentativa de criar chapa única para concorrer ao Governo do Estado. A publicação está marcada para dia 11. “Temos ideias para apresentar e não queremos que elas fiquem em quatro paredes. Queremos discussão pública sobre alternativas para o Estado”, disse Rebecca. “Ainda que a gente esteja em palanques diferentes, o importante é que nosso sentimento vire semente”, acrescenta Chico Preto. “Estamos tratando da política para a eleição e não o contrário”, disse Marcelo Ramos. “Esta geração precisa de espaço”, acrescenta Hissa.
O manifesto do grupo, em tom de oposição, está em fase de redação final. Os quatro vão se reunir novamente esta semana, provavelmente na quinta-feira, por conta do Carnaval, para afinar ainda mais o discurso.
“O manifesto, no dia 11 de março, é um movimento no tabuleiro de xadrez. Vamos ver como as outras peças se mexem e a gente vai dar esse passo”, disse Chico Preto. O parlamentar é presidente regional e tem o comando amazonense do PMN. A sigla não deve fechar questão em torno de nenhum candidato a presidente, o que deixará livres os diretórios estaduais.
“O PP deve ter candidato a presidente, mas vai excetuar alguns Estados, como é o caso do Amazonas. Isso nos dá bastante mobilidade”, disse Rebecca. “Minha situação interna, no partido, é a mais delicada de todos. A gente tem que matar um leão por dia, mas vamos em frente”, disse Marcelo Ramos. Ele se encontrou com a ex-ministra Marina Silva no dia 15/02 e recolheu dela incentivos à candidatura ao Governo do Estado. O PSB deve indicá-la como candidata a vice-presidente, na chapa do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. A direção regional, comandada pelo ex-prefeito Serafim Corrêa, quer indicar o filho dele, o vereador Marcelo Serafim, para concorrer ao Executivo.
Hissa Abrahão, que está em Amaturá (AM), em visita a bases eleitorais, falou de lá com o blog. Ele também tem o comando regional de sua sigla, o PPS, e tem feito várias reuniões onde manifesta a intenção de concorrer ao Governo do Estado. “Nós começamos a conversar e a conversa está frutificando”, disse.
Chico Preto não descarta a hipótese de que os quatro signatários do manifesto atuem em palanques diferentes. “O importante é que a gente tenha uma ideia conjunta sobre o desenvolvimento do Amazonas”, disse. “Há um descompasso entre o desenvolvimento econômico, com o orçamento do Estado saindo de R$ 2 bilhões para R$ 15 bilhões, nos últimos 30 anos, e a inclusão social. Hoje, o Amazonas é o quarto Estado em número de miseráveis”, acrescenta Marcelo.
O grupo pretende ampliar o campo de ação para outras pessoas da sociedade. “Há muitos outros, ocupando postos nas universidades ou na sociedade civil, querendo falar, expor ideias, participar. A gente quer reunir esse pessoal e fazer do descontentamento com as decisões, sem respeito ao pensamento plural, uma voz forte e que seja ouvida”, disse Rebecca. “Se um desses nomes romper a barreira e for para o segundo turno, a gente vai estar unido em torno dele”, acrescenta Chico Preto.”
“O meu esforço de dar essa ideia e mobilizar em torno disso é para dizer que existe gente pensando o Amazonas fora dos quatro ou cinco que tradicionalmente se reúnem para decidir o futuro do Estado. A gente tem condições de dividir experiências, que são diferenciadas, três delas completamente diferentes, e, juntos, vamos abrir espaço para uma nova geração de políticos que quer surgir e os tradicionais não permitem”, avalia Marcelo.
O “chapão” seria formado em torno do ex-governador e atual senador Eduardo Braga (PMDB), com apoio direto da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, que pressionam o governador Omar Aziz (PSD) e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), a apoiar Braga. Arthur acaba de receber os aplausos da cidade pela retirada pacífica dos ambulantes da avenida Eduardo Ribeiro. Omar estará no centro dos holofotes nos próximos dias, provavelmente dia 9/3, quando inaugura a Arena da Amazônia.
O vice-governador José Melo, pela composição que está sendo articulada, ficaria onde está, como vice, ou então poderia concorrer ao Senado, com Omar Aziz ficando no Governo e ganhando, em contrapartida, um ministério no próximo mandato de Dilma.
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