31/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Presidente da CPI da Pedofilia diz que Justiça do Amazonas é frouxa. Presidente do TJAM pede respeito

Publicado em 21 de fevereiro, 2014

A presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Combate à Pedofilia da Câmara dos Deputados, Érica Kokay (PT-DF), fez duras críticas à morosidade do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) no julgamento de processos relacionamentos à exploração de crianças e adolescentes no Estado.”É uma demonstração de frouxidão. Frouxidão do Estado e frouxidão da própria lei no Amazonas, que não pode ser admitida”, afirmou, em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (21/02). Ela esteve reunida com o presidente do TJAM, desembargador Ari Moutinho, na sede do órgão, para conversar sobre a tramitação dos processos.

“Não temos dúvida de que foi constatada no Estado do Amazonas uma morosidade do Poder Judiciário extremamente perigosa e digo isso porque quanto mais moroso um processo para atribuir responsabilização, mais crianças vão estar vulnerabilizadas a uma lógica de roubo da própria infância e da adolescência”, observou.

A presidente da CPI, Érika Kokay, com o procurador-geral do Estado, Francisco Cruz.

A presidente da CPI, Érika Kokay, com o procurador-geral de Justiça do Amazonas, Francisco Cruz. Foto: José Rodrigues/Free lancer

Ela afirmou que o caso envolvendo o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, é emblemático e que a CPI vai até o final. “É uma derrota não para a CPI, mas um derrota para sociedade, a democracia, a constituição que nós não tenhamos as punições no caso de Coari. Vamos envidar todos os esforços, todas as ações necessárias e acompanhar todos os procedimentos para que tenhamos justiça no município de Coari. O Brasil inteiro exige justica”.

À tarde, Érika oficializou no Ministério Público do Amazonas (MPE) o pedido de intervenção direta no município de Coari. O pedido será analisado pelo MPE e, se for procedente, será encaminhado ao TJAM.

Nota do TJAM

O presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Ari Jorge Moutinho da Costa, divulgou uma nota na qual repudia a afirmação da presidente da “CPI da Pedofilia”, Erika Kokay, de que a “Justiça do Amazonas é frouxa”.

Veja a íntegra da nota

NOTA DE REPÚDIO

PODER JUDICIÁRIO DO AMAZONAS MERECE E EXIGE RESPEITO

O presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Ari Jorge Moutinho da Costa, vem a público repudiar com veemência a afirmação da presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que apura denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes, da Câmara dos Deputados, Erika Kokay, de que a “Justiça do Amazonas é frouxa”.

Trata-se de uma declaração extremamente ofensiva e desrespeitosa para com o Judiciário Estadual, atingindo a honra e a dignidade seus servidores e magistrados, profissionais que aqui estão, dia após dia, levando a Justiça aos lugares mais longínquos do Amazonas. Tal expressão desmoraliza e desmerece todo o trabalho realizado por este Poder.

E por isso não se pode aceitar, sob qualquer hipótese, que a presidente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito faça uma declaração como essa, principalmente após ter este Tribunal de Justiça repassado tudo o que foi solicitado pela CPI para esclarecimento da verdade, dentro dos limites judiciais, no que tange aos processos relacionados à exploração sexual de menores de idade e favorecimento à prostituição, envolvendo o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, procurando assim colaborar ao máximo para as atividades da Comissão.

O que mais surpreende é que, em momento algum, enquanto estive reunido por mais de duas horas, nesta sexta-feira (21), com integrantes da CPI e assessores, houve, por parte da referida deputada, qualquer referência ao termo utilizado nessa afirmativa. É de se estranhar, portanto, que, ao presidente da Corte, o representante máximo deste Poder, tal expressão não tenha sido mencionada. Se assim o fosse, seria rebatida de imediato por mim. Contudo, foi feita à imprensa.

A Justiça amazonense exige e merece respeito para com suas atividades, seus magistrados e servidores. Este Poder tem uma missão árdua, espinhosa, porém, crucial para a manutenção da ordem jurídica e a paz social. Não se pode admitir que este trabalho seja maculado.

Nunca houve tanta transparência nas ações deste Tribunal, que está e sempre estará à disposição da sociedade.

Desembargador Ari Jorge Moutinho da Costa

Presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.