12/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Confirmada as mortes dos três desaparecidos em Humaitá. Famílias serão indenizadas e culpados serão processados. Pedágio é proibido

Publicado em 12 de janeiro, 2014

Uma reunião de órgãos envolvidos com as investigações no Sul do Amazonas, em Humaitá (AM), na sede do 54º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS), hoje pela manhã (12/01), confirmou as mortes do professor Stef Pinheiro de Souza, 43 anos, do técnico da Eletrobras Amazonas Energia Aldeney Ribeiro Salvador, 40, e do representante comercial Luciano Ferreira Freire, 30. Os três desapareceram no dia 16/12.  Policiais envolvidos na investigação afirmam que a confirmação oficial virá com a resposta da Volkswagen, que analisa uma peça do carro Gol 1.0 encontrada na Transamazônica, e com a descoberta dos corpos.

A reunião foi acertada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e o governador Omar Aziz, na sexta-feira, após uma série de telefonemas. A Polícia Federal (PF) já tinha a informação de que os três estavam mortos, mas procurava a melhor forma de informar a família. O grupo decidiu que uma comissão será formada para fazer o comunicado oficial, o Governo Federal vai indenizá-las e “os culpados serão punidos criminalmente”. Os nomes dos responsáveis, porém, não foram revelados.

O grupo também decidiu que o pedágio, cobrado ilegalmente pelos índios desde 2005, nas BRs 230 (Transamazônica) e 319 (Manaus-Porto Velho), não voltará a acontecer. Bases permanentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e PF, em Humaitá, serão instaladas para fiscalizar o cumprimento da determinação. Os índios receberão os remédios e os alimentos que estão reivindicando como compensação por a estrada passar na Terra Indígena Tenharim Marmelos.

O acerto da reunião foi intermediado pelo general Eduardo Dias da Costa Villas-Bôas, comandante militar da Amazônia, que estava ao lado do ministro. “Todos vão discutir uma saída para isso, inclusive no longo prazo. Temos que proteger os índios, que são amazonenses, mas não podemos aceitar que eles voltem a cobrar pedágio”, havia adiantado o governador Omar.

 

Exoneração

O coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) na região do rio Madeira/ Humaitá, Ivan Bocchini, foi exonerado na sexta-feira (10/01), num ato publicado no Diário Oficial da União (DOU), assinado pela chefe de gabinete da presidência da Funai, Luciana Nogueira Nóbrega. Ele é acusado de ter publicado em seu blog um artigo que foi o estopim da crise entre índios e não-índios, ao insinuar que o cacique tenharim Ivã Tenharim tenha sido assassinado. Uma fonte de Humaitá afirma que, no hospital de Porto Velho, a PF facilmente obteve a confirmação de que o cacique sofreu um acidente de moto porque havia ingerido bebida alcoólica.

O ato de exoneração de Ivan Bocchini, publicado no Diário Oficial da União de sexta (10/01)

O ato de exoneração de Ivan Bocchini, publicado no Diário Oficial da União de sexta (10/01)

 

O agora ex-coordenador da Funai retirou o ar o post em que fez as insinuações de assassinato de Ivan Tenharim

O agora ex-coordenador da Funai retirou o ar o post em que fez as insinuações de assassinato de Ivan Tenharim

Representantes

O Governo do Estado está representado em Humaitá pelo vice-governador José Melo, na reunião de dirigentes, em Humaitá. O superintendente da PF no Acre, Carlos Manoel Gaia da Costa, foi quem deu a notícia da confirmação das mortes dos desaparecidos. A Funai está representada por um funcionário da presidência, de Brasília. Exército, Ministério Público Estadual (MPE) e o comandante da Polícia Militar do Amazonas, coronel Almir David, também estão presentes.

Omar ligou para o prefeito de Humaitá, Dedei Lobo, colocando à disposição os medicamentos e alimentos que forem necessários para os índios, isolados na Terra Indígena Tenharim Marmelos, neste momento de transição. Dedei havia se queixado de que a Prefeitura não tinha condições de arcar com esses custos, após o incêndio de toda a estrutura de apoio aos índios em Humaitá, na noite de 25/12 para 26/12, por uma turba de 7 mil pessoas.

O delegado Alexandre Alves, da PF, que comanda as investigações dos desaparecimentos, anunciou quinta-feira (09/01) a chegada à região de um caminhão-escritório da instituição e o uso de novas tecnologias para vasculhar o solo dos tenharins. Ele passou a usar o Ground-Penetrating Radar (penetrante radar de solo, sigla em inglês GPR), espécie de ultrassom que encontra coisas enterradas no terreno, para vasculhar tudo, em busca dos corpos dos desaparecidos. Não há informações se os corpos foram encontrados.

Veja mais notícias em Destaques

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.