12/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Culto ecumênico em Apuí pede paz no campo e fim de pedágio na BR-230. Prefeito quer ação federal ou Humaitá arcará com ônus

Publicado em 05 de janeiro, 2014

Um culto ecumênico, em Apuí, no Sul do Amazonas, reuniu cerca de mil pessoas pedindo paz no campo e em prol das três pessoas desaparecidas no dia 16/12 na BR-230 (Transamazônica), Luciano Freire, Aldeney Salvador e Stef Pinheiro. O ato foi realizado pelo Sindicato Rural do Sul do Amazonas (Sindisul), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O salão onde foi realizado o culto ficou completamente lotado. Foto: Faea/ Senar/ Divulgação

O salão onde foi realizado o culto ficou completamente lotado. Foto: Faea/ Senar/ Divulgação

 

Com camisas mostrando as fotos dos três desaparecidos, a multidão orou e rezou pela paz no campo

Com camisas mostrando as fotos dos três desaparecidos, a multidão orou e rezou pela paz no campo

A semana foi carregada de informações contraditórias. Uma delas, atribuída à Polícia Federal, dá conta de que um carro incendiado foi encontrado num barranco e que o veículo seria semelhante ao usado pelos desaparecidos. A falta de fotos e de outras evidências acabou esvaziando a informação. O site www.acriticadehumaita.com.br chegou a dizer que, a partir disso, a operação da PF na área está sendo chamada de “H-Menon”, isto é, cercada de factoides e sem resultado concreto. Uma equipe do jornal Folha de São Paulo foi barrada na balsa que dá acesso à área da Terra Indígena Tenharim e outra, da TV Globo, teve o acesso permitido.

O prefeito de Humaitá, Dedei Lobo, disse que o incêndio dos prédios da Fundação Nacional do Índio (Funai), Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Casa do Índio (Casai), no Município, tiraram a estrutura de apoio aos índios. “Eles vão continuar adoecendo, procurando remédios e abrigo na cidade. Se o Governo Federal não agir rápido, vai sobrar para a Prefeitura”, disse, em entrevista à rede CBN.

 

O culto

“Nós atendemos a uma solicitação dos organizadores do culto e viemos falar pela paz, mas uma paz que também deixassem inquietas as pessoas para clamar por justiça. Uma paz que inquieta as pessoas, mas que não possa ocorrer incitação ao ódio. E também com as mesmas palavras do nosso bispo, que busque a reconciliação e que não seja de fato a justiça esquecida”, disse o padre Raimundo Magalhães, Pároco de Apuí, um dos celebrantes. Pastores evangélicos de Apuí e Santo Antônio do Matupi (KM-180 da BR-230), cujos moradores estavam no culto, também participaram.

Celebrantes pediram paz e reforçaram reivindicações, como o fim do pedágio imposto pelos índios na BR-230, à altura da Terra Indígena Tenharim

Celebrantes pediram paz e reforçaram reivindicações, como o fim do pedágio imposto pelos índios na BR-230, à altura da Terra Indígena Tenharim

Antes da celebração, autoridades locais participaram de uma mesa e relembraram os três desaparecidos, há mais de 16 dias. Irisnéia Santos Azevedo, esposa de Stef Pinheiro, não pode comparecer ao evento, mas falou por telefone para toda a população presente. Ela descreveu as dificuldades que vem passando desde o desaparecimento do marido e agradeceu o apoio de todos.

O presidente da Faea, Muni Lourenço, ressalta que a instituição defende o direito à vida no campo e que é contra a violência. O dirigente também defende que um posto da Polícia Rodoviária Federal seja instalado na Transamazônica.

 

Assinaturas

O Sindisul coletou assinaturas em abaixo assinado pedindo a extinção da cobrança de pedágio na Rodovia Transamazônica, no trecho da Reserva Indígena Tenharim, imposto pelos índios. O pedágio foi alvo dos protestos de moradores de Apuí, Matupi e Humaitá e está entre as principais reivindicações dos moradores da área.

O presidente do Sindisul, Carlos Koch, disse estar preocupado com a situação e esclareceu a motivação para o ato. “Nós produtores rurais estamos demonstrando, com esse movimento pacífico, que nós somos humanos e que temos nossos direitos, entre eles o direito à vida e o direito de ir e vir.”

Eliaquim Cordeiro Duarte, pastor da Igreja Assembleia de Deus de Matupi, também deixou mensagem de paz. “Nós viemos de Matupi numa caravana de 45 pessoas em causa justa somar com os moradores de Apuí. Então nós estamos reunidos pra clamar a Deus em prol dessas famílias, dessas pessoas desaparecidas buscando a paz acima de tudo e também o fim do pedágio”.

Presidente do Conselho de Cidadãos do Distrito Santo Antônio do Matupi, José Roberto de Carvalho, participou e pediu que as autoridades que cessem as inimizades, as rivalidades de classe e a discriminação contra os produtores rurais. “Nós somos um país com capacidade de produzir alimentos para o mundo inteiro e por que está acontecendo isso? Hoje eu acho que nós somos tratados pior do que um animal”.

O prefeito de Apuí, Adimilson Nogueira, também está preocupado com os últimos acontecimentos na Rodovia. Segundo ele alguns investidores, assim como trabalhadores rurais, têm manifestado desejo de abandonar o Município.

Todos deixaram as assinaturas no abaixo-assinado, dirigido ao Governo Federal, pedindo o fim do pedágio e instalação de posto da Polícia Rodoviária Federal na área em conflito

Todos deixaram as assinaturas no abaixo-assinado, dirigido ao Governo Federal, pedindo o fim do pedágio e instalação de posto da Polícia Rodoviária Federal na área em conflito

 

* Com fotos e informações da assessoria de imprensa do sistema Faea/ Senar

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