Neste final de tarde, eu e minha esposa fomos ao Shopping Ponta Negra cumprir a missão de levar nossa filha para a estreia do filme Jogos Vorazes. Como se trata de um filme impróprio para adultos, bem resolvidos em sua adolescência, resolvemos passar o tempo no Empório do Dedé (ou será cachaçaria?) e deixar que os grandes temas da humanidade tomassem conta de nossa conversa.
Leciono Gestão de Serviços, portanto, posso dizer de cátedra que a atmosfera do serviço no Empório do Dedé era perfeita, ou seja, o ambiente é bem decorado, os atendentes foram bem treinados, apresentando-se pelo nome e dizendo assim: “Meu nome é fulano e irei atender-lhes no que for necessário”.
Recebemos o menu e resolvi pedir um carpaccio, pois quando vi que era uma opção no cardápio, de imediato salivei, relembrando todos os bons carpaccios que comi em vários bons restaurantes em que estive, principalmente fora de Manaus.
Demorava um pouco a chegar, mas às vezes a demora, quando se trata de “gestão de serviços”, poderá ser um componente a mais da experiência, quando o atraso passa a percepção que existiu antes todo um zelo no preparo para servir a mais fina iguaria, ou seja, a espera não é problema quando o resultado final atende ou supera a expectativa. Deve-se levar também em consideração que o cliente (neste caso eu) quando já viveu outras experiências de serviço, tende a elevar suas expectativas ao patamar de sua vivência anterior. Outra importante consideração é que o carpaccio não era o petisco mais barato do cardápio, mesmo porque o preço torna-se secundário quando o objetivo era reviver um prazer gastronômico, completando a excelente conversa e o ambiente agradável.
Quando finalmente a atendente chegou com o carpaccio, nem precisei saboreá-lo para que ficasse imediatamente decepcionado. Faltavam vários ingredientes que poderiam chamar aquilo de carpaccio. Foi entregue na mesa uma carne fatiada com algumas alcaparras por cima e um fio de mostarda em forma de “S” cobrindo toda a extensão do prato. Não havia qualquer molho, não tinha tempero (faltava limão, alho, azeite), não veio coberto de parmesão ralado e faltou torradas de acompanhamento. Assim, o peso da decepção fez com que o preço do produto se tornasse muito, mais muito caro.
Não obstante, a porção era minúscula, além de ruim. Ainda tentei salvá-la, pedindo ao garçom que trouxesse umas torradas. Para completar untei o prato com azeite, pimenta e afoguei o carpaccio neste molho improvisado, pois não queria que o contratempo da escolha pudesse interferir na conversa agradável que estávamos desenvolvendo. Para finalizar, pedimos uma porção de pasteis de queijo, pois já era um prato conhecido e simples, sendo remota a possibilidade de errarem.
Antes de escrever esta resenha sobre esta minha experiência resolvi pesquisar sobre todas as receitas de carpaccio que pude encontrar na internet, pois não queria ser injusto. Será que todos os outros restaurantes em que comi carpaccio estavam errados e somente o Empório do Dedé realmente é que sabe como o prato deve ser servido?
Não é bem assim, o que reforça a minha percepção forjada na literatura que diz: Não basta uma boa decoração, um bom atendimento se o produto final, razão pela qual deve existir uma empresa, não atende as expectativas e não satisfaz o cliente.
Resumindo, foi o carpaccio mais insosso e caro que já comi.
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* João Lago é professor universitário, mestre em Administração (Estratégica / Marketing), tem 10 ...