21/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Tratados das imperfeições

Publicado em 28 de outubro, 2013

Sobre os tratados que celebramos diariamente uns com os outros, com nosso trabalho, com as nossas obrigações, necessidades e devoções, compreendo-os todos, como compromissos firmados com base nas imperfeições humanas e necessários somente em função destas. Sendo o ser humano criatura imperfeita, necessitou de normas que regulamentassem, controlassem e punissem tais imperfeições. As referidas normas são impostas na Bíblia, no Alcorão, nos códigos de leis utilizados mundo afora, nas convenções sociais… Normas imperfeitas, para seres humanos imperfeitos.

Neste emaranhado de imperfeições, nos deparamos cotidianamente com falhas que nos decepcionam em escalas diferentes de intensidade. Falhas de amigos, parentes, colegas de trabalho. Falhas só nossas também. Há igualmente, imperfeições que atingem a coletividade. A sequência não se exaure, prossegue infinitamente. O poder é campeão de imperfeições, suas facetas são imperfeitas, seus reflexos e tentáculos também o são. Apropriando-me das palavras do advogado irlandês Edmund Burke: “Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso”. Necessário, portanto, controle em parâmetros severos, para, ainda assim, confrontarmos excessos avassaladores.

Quando enfrento minhas imperfeições busco a religião, a Bíblia, os amigos e os livros. Passo a divagar sobre temas difíceis, mais dolorosos porque me atingem, entretanto, tento combater as minhas falhas, ser íntegra ainda que seja imperfeita; ser melhor do que ontem, ainda que muito distante do lugar em que pretendo estar amanhã. Sigo me desculpando, consertando, perdoando. Ao estudar, reitero a afirmação antes conhecida de que nada sei e, sem saber nada, faltam-me palavras para descrever as impressões que tenho daqueles que pensam que tudo sabem. Aos que cometem o erro de prostrar-se em nível de superioridade divina trago grandiosa novidade: vocês também são imperfeitos! Para Fernando Pessoa “adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.” Sábias palavras.

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Autor
Gabriela Barile Tavares

* Gabriela Barile Tavares é especialista em Direito Tributário e doutoranda em Direito do Trabalh...

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