A alta do dólar tem reflexos diretos nos negócios do Polo Industrial de Manaus (PIM). Se por um lado o momento é favorável às exportações, por outro, a alerta fica por conta da compra do insumo importado para atender às indústrias, principalmente, de eletroeletrônicos, conforme a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).
“O dólar cotado, hoje, a R$ 2,45 é certamente ruim para quem importa. Muitas empresas do polo estão pagando fatura de componentes com o câmbio atual, com a moeda americana valorizada, com impacto direto no custo da produção”, explica o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo.
Conforme o representante empresarial, o aumento do dólar reflete a recuperação da economia americana e, mesmo que se estabilize nos próximos meses, a cotação não deve ficar menos de R$ 2,30. Na opinião de Azevedo, com o movimento no câmbio, é possível que algumas indústrias deixem de comprar componente importado, principalmente da Ásia, para adquirir insumo nacional.
Em entrevista à Agência Estado, o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, fez análise similar a do vice-presidente da Fieam. Para ele, o dólar valorizado deve impactar nos preços de produtos, como televisores e áudio, fabricados na Zona Franca, cujos componentes vêm maior parte de países asiáticos.
“A oscilação do câmbio pode até impedir que o repasse seja feito imediatamente, mas isso começará a afetar a margem de lucro e aí não terá mais como represar o repasse”, conclui.
Planejamento
Para o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, não há como prevê esse impacto agora, uma vez que as empresas do PIM trabalham com estoque médio de material de um mês e as compras de componentes são feitas com muita antecedência.
“Todo o planejamento de material para os próximos 90, 120 dias já está feito. Para os próximos 60 dias, boa parte do material está em trânsito. O câmbio será fechado quando do vencimento desses pedidos, o que deve ocorrer no final de outubro, começo de novembro. Só a partir daí, poderemos compor o custo do produto a ser fabricado”, destaca Périco.
Ele enfatiza que, por outro lado, os produtos fabricados no Brasil têm uma parte dos seus custos em reais — mão de obra, insumos locais, entre outros — isso faz que a mercadoria nacional fique mais competitiva, quando comparada com a importada que tem, em sua totalidade, os custos em dólar.
Balança comercial
De janeiro a julho, o déficit da balança comercial do Amazonas alcança US$ 7,3 bilhões, de acordo com dados divulgados hoje (21/08) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Enquanto as importações do Estado somaram US$ 7,9 bilhões, as vendas para o exterior contabilizaram, no período, US$ 580 milhões.
No que diz respeito às exportações, a liderança foi assegurada pelas preparações para bebidas, seguidas por motocicletas e aparelhos de barbear não elétricos. Os principais compradores dos produtos locais foram Argentina (US$ 147,7 milhões), Venezuela (US$ 103,8 milhões) e Colômbia (US$ 61,7 milhões) até julho deste ano.