22/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ações fortalecem setor madeireiro no interior do Amazonas

Publicado em 20 de agosto, 2013

As atividades florestal e madeireira têm se fortalecido no interior do Amazonas neste ano. Ações de licenciamento ambiental, implantação de empresas de beneficiamento e capacitação fazem parte do ‘pacote de incentivo’ para desenvolver o segmento no Estado.

Com o objetivo de tornar as atividades principais fontes econômicas, a Prefeitura de Lábrea (a 701 km de Manaus), por exemplo, planeja com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) ações de licenciamento ambiental de empreendimentos para o município, sendo 71 Planos de Manejo Florestal Empresarial e 40 empresas de beneficiamento de madeira divididas entre serrarias e movelarias.

Fruto desta parceria, no último sábado (17), Lábrea ganhou uma nova indústria de madeira, batizada de Santa Helena, localizada no km 65 do Ramal do Marmelo, com acesso pelo km 320 da Rodovia BR-364, no sentido Porto Velho-Rio Branco, sul do município.

Licenciada pelo Ipaam  em nome de Americandoor da Amazônia Comércio de Madeira Ltda., a serraria possui uma capacidade de operação de 30 mil metros cúbicos anuais de madeira. A estimativa é dobrar a capacidade operacional dentro de um ano, à medida que entrarem em operação mais planos de manejo e aumentarem a oferta de madeira legalizada no município.

A nova serraria vai adquirir madeira legal do Plano de Manejo Florestal Sustentável Empresarial licenciado pelo órgão ambiental estadual em nome de Aparecida Guerino, localizado no km 56 do Ramal da Anta, também no sul do município. Este Plano de Manejo contempla 1.287 árvores para abate, correspondendo a uma volumetria de 7.613.061 metros cúbicos de madeira.

Processos em trâmite

O vice-prefeito de Lábrea, Michel Cruz, calcula em R$ 400 mil o custo de implantação de uma serraria. Ele acredita que serão necessárias 60 serrarias para consumir a madeira disponibilizada pelos 71 planos de manejo empresariais que já estão em processo de licenciamento no Ipaam (e que já possuem documento de regularização fundiária ou requerimento de posse da terra pelo Terra Legal), bem mais que os 40 empreendimentos madeireiros (serrarias e movelarias) hoje em tramitação no órgão ambiental.

Dos 71 planos de manejo florestal empresarial com processos de licenciamento no Ipaam,, 60 deles estão localizados no sul de Lábrea, região que sofre forte pressão de desmatamento pela expansão da fronteira agrícola do centro-oeste e cuja legalização de planos de manejo florestal vai contribuir positivamente no controle do desmatamento.

Cruz estima que a área destinada aos 60 planos de manejo no sul do município possui mais de dois milhões de metros cúbicos de madeira. “A concretização desses planos de manejo vão também inibir o comércio ilegal de madeira que explora 250 metros cúbicos/dia, em sua maioria vendida para empreendimentos no estado vizinho de Rondônia”, afirmou o vice-prefeito.

Capacitação

Enquanto isso, no Alto Solimões, o projeto de incremento do setor madeireiro — convênio entre Governo do Estado e o Ministério da Integração — visa a capacitação técnica e entrega de equipamentos.

Na última sexta-feira (16/08), trinta profissionais de movelaria e extração de madeira de Benjamin Constant, Tabatinga e Atalaia do Norte participaram de um treinamento com uma serraria portátil. O curso de capacitação divididos em dois módulos, teórico e prático, foi ministrado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) do Governo do Estado em parcerias com o Instituto de Desenvolvimento do Amazonas (Idam), governo federal e Prefeitura de Benjamin Constant.

Segundo o diretor de Negócios da ADS, Fernando Guimarães, que estava acompanhado do presidente do IDAM, Malvino Salvador, cada município vai receber uma serraria portátil, exceto o município de Santo Antônio do Içá, para onde serão entregues duas serrarias.

“A principal exigência é que todos os municípios tenham planos de manejo”, afirmou Fernando. Ele informou que estão em tramitação vários pedidos de plano de manejo, dos quais quinze são de Benjamin Constant.

A serraria portátil movida a gasolina é de fácil transporte e baixo custo. Com ela o madeireiro já inicia o beneficiamento ainda no local onde foi a árvore foi abatida, além de diminuir a perda e o impacto ambiental, já que não há necessidade de arrasto das toras pela floresta.

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