Os jornais de Manaus e este blog estamparam, com destaque, o roubo que uma gerente de banco teria praticado contra a instituição financeira onde trabalhava. Li e reli várias vezes a matéria, procurando encontrar uma razão lógica que justificasse aquele tresloucado gesto. À luz do Direito e da razão, mesmo sendo robustos os argumentos apresentados pela delinquente, eles sucumbem pela força das Leis dos homens, porque ela cometeu um crime e, portanto, deve pagar por isso.
Sem querer fazer qualquer apologia ao crime, mas mergulhando profundamente no mais recôndito da alma dessa infeliz delituosa, é possível vislumbrar várias razões abstratas que teriam sido determinantes na materialização do crime praticado por ela.
Exercendo cargo de confiança na instituição onde trabalhava, essa infeliz mulher deve ter sido forçada algumas vezes a tomar atitudes drásticas contra pessoas simples do povo que, por razões alheias a sua vontade, tiveram a infelicidade de se tornarem reféns de um sistema financeiro cruel e insaciável, tomando-lhes bens, confiscando-lhes salário, colocando-os em cadastros de inadimplentes, levando-os a execração pública, enfim, praticando todos os atos desumanos que o guarda-chuva das Leis lhe concede.
Esse tétrico quadro que embeleza a parede da sua mente durante as 24 horas do dia, associado a um salário aviltante, que paga mal a quem cobra bem, fizeram crescer as suas dívidas e com elas as preocupações. A somatória desses fatores deve ter sido o pavio curto que, aceso num momento impensado, fez explodir a nitroglicerina dos sentimentos de revolta contra a sua instituição patronal.
Não temos a menor dúvida de que o peso da justiça cairá impiedosamente sobre a cabeça dessa infortunada mulher, pois ela teve a ousadia de roubar um patrão tão poderoso, e é preciso que o castigo seja forte para desestimular outros a seguirem o mau exemplo.
O sistema financeiro brasileiro precisa receber um tratamento de choque por parte do governo que, até hoje, permanece com as mãos da omissão tão limpas como as de Pilatos, pois é inadmissível deixar um seguimento que deveria ser o hospital das empresas continuar sendo o cemitério das mesmas. O discurso de que os juros são altos porque o risco da inadimplência também o é, “não cola” mais. Há bancos que conseguem em um semestre ganhar um outro banco. Isso é um crime de lesa-pátria. Não é somente o rabo que faz o rato ser grande.
Senhores banqueiros, sejam patrões mais humanos e patriotas. Vão com menor sede ao pote para que seus funcionários, no futuro, não sejam forçados a optar entre “a prisão das grades ou a liberdade das dívidas”.
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* Dauro Braga é empresário do comércio e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus...