A deputada federal Rebecca Garcia (PP), licenciada para dirigir a Secretaria Estadual de Governo (Segov), resolveu esclarecer alguns pontos sobre sua atuação no Governo, a relação com o governador Omar Aziz e suas metas políticas. Ela fala sobre rumores que têm movimentado os bastidores do poder local e confirma o casamento com o empresário Stanley César de Souza, pai de seus filhos Maria Eduarda e Pedro. Eis a íntegra da entrevista da parlamentar ao blog:
Blogdomarcossantos – Qual é o balanço da sua atuação na Segov, agora que se passaram os primeiros quatro meses de sua posse na pasta, que ocorreu no dia 10 de dezembro?
Rebecca Garcia – Estou muito satisfeita e agradecida pela oportunidade oferecida pelo governador Omar Aziz. Tenho a oportunidade de conhecer profundamente a máquina administrativa estadual, as atribuições das diversas secretarias, as demandas e as dificuldades enfrentadas para realizar a vontade política. Isso é um patrimônio pessoal e político de valor inestimável. Faço o possível, com expedientes que começam bem cedo e, na maioria das vezes, vão até bem tarde, dentro e fora do gabinete, na Segov ou em outras secretarias, para aproveitar ao máximo esses momentos.
Blog – O que se dizia é que a senhora estava indo para a Segov como uma maneira de sedimentar possível candidatura à sucessão do governador Omar. Esse objetivo está sendo alcançado?
Rebecca – Muitos esperavam que, após minha posse, eu passasse a frequentar a imprensa, diariamente, falando sobre todos os assuntos, relacionados ao Governo ou não. Ninguém percebeu que esse papel só pertence a uma pessoa, no Amazonas, que é o próprio governador Omar Aziz. Entendo que a oportunidade mesmo – e essa, como já disse, estou aproveitando ao máximo – é de aprendizado quanto ao funcionamento da máquina administrativa. Se começasse a fazer qualquer coisa para aparecer, se todos os meus movimentos fossem para criar factoides ou começasse a pressionar empresários para apoiar futuras pretensões políticas, qual é a contribuição que estaria dando para a política? Estou no Governo para aprender e não para aparecer. Esses métodos, para mim, são completamente ultrapassados. Prefiro, insisto, conhecer a máquina e aprender onde e como aplicar os talentos talvez escondidos em instituições de Ensino Superior, dentro e fora do Estado, para ajudar o Amazonas a ser tão grande como seu povo merece.
Blog – A senhora está dizendo que o período na Segov serviu para, digamos, afinar seu olhar em relação àqueles que podem ocupar esta ou aquela secretaria estadual?
Rebecca – Não só em relação às secretarias. O Estado é uma máquina gigantesca. Temos, por exemplo, os gestores municipais de Educação, que precisam de acompanhamento dedicado, especializado, constante. Eles podem fazer enorme diferença no interior. O governador Omar Aziz tem feito movimentos estratégicos em direção à Região Metropolitana de Manaus, procurando estruturar uma economia que vai além do rio Negro e do rio Amazonas, da AM-010 e das BRs 319 e 174, dos limites fluviais e terrestres da cidade-Estado em que vivemos. Isso é muito grave porque, nos próximos anos, Municípios como Iranduba, Manacapuru, Novo Airão, Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Careiro da Várzea e Itacoatiara, sofrerão vivamente o impacto da ligação tão próxima com a capital. A ponte Rio Negro e a implantação do programa Ronda no Bairro, em Manaus, aceleraram a expansão dos problemas, como os relacionados à segurança pública. É obrigação do Estado, como tem feito o governador, levar alternativas econômicas para fazer frente a isso.
Blog – A Segov não lhe permite interferir diretamente nesses assuntos?
Rebecca – Tenho participado ativamente das ações do Governo. O que estou querendo dizer é que muitos projetos estão sendo iniciados e precisam de continuidade. Aprendo, todos os dias, como fazer para que as iniciativas do governador não parem no tempo.
Blog – A senhora pode dar um exemplo?
Rebecca – A criação de estações de alevinos, em Manacapuru, Humaitá, Boca do Acre, Parintins e Tabatinga, por exemplo, pode muito bem representar um novo período na economia estadual. Mas é preciso vigiar e incrementar esse trabalho, para que não ocorra o mesmo que ocorreu com outras iniciativas, no passado recente.
Blog – Que iniciativas?
Rebecca – Lembra que foram compradas centenas de estufas de madeira para incrementar a indústria moveleira? O que resultou disso? Há questões ambientais, ecológicas e preconceitos envolvendo a exploração da madeira em solo amazonense. É preciso estudar bem isso e o Inpa tem estudos removendo uma série de equívocos. Por exemplo: o caboclo usa motosserra ou machado para cortar as árvores e esses instrumentos só são eficientes com espécimes de diâmetro pequeno, as mães, em pleno processo de procriação. Árvores gigantes, tidas por todos nós como verdadeiros ícones da floresta, não são tocadas pelo homem do nosso interior porque como ele vai carregar nas costas uma tora de três metros de diâmetro? Nem cortar ele consegue. E essas árvores, as avós, quando caem, durante uma grande ventania, abrem enormes clareiras, matando árvores jovens. Os vegetais nascem, crescem e morrem. Cada espécie tem o seu tempo de vida. Se identificarmos quando a árvore está perto da morte e a retirarmos, estaremos fazendo um bem à floresta. Mas mexer com isso exige estudo, coragem e vontade política. Afinal, a indústria internacional da madeira fatura bilhões de dólares, todos os anos, e o Amazonas é o mais temido de todos os concorrentes dos países que plantaram florestas e hoje colhem os louros em divisas.
Blog – Sem meias palavras, deputada, a senhora é candidata ao Governo do Amazonas?
Rebecca – Você já viu alguém ser candidato de si mesmo e obter vitórias? Estou na política, gosto da política e tenho aprendido os caminhos pelos quais posso ajudar meu Estado. Se vou disputar o Governo do Estado aí é outra coisa. Estou pronta. E que venham os desafios.
Blog – Há uma disputa entre a senhora e o vice-governador José Melo pelo apoio do governador Omar Aziz?
Rebecca – Não. Nada disso. Corremos em faixas diferentes e, ao mesmo tempo, pertencemos ao mesmo Governo. Tanto eu como o professor Melo estamos na administração para ajudar o governador Omar Aziz e a primeira-dama, Nejmi Aziz, que, aliás, desenvolve um belo trabalho junto às entidades filantrópicas do Estado.
Blog – A senhora pretende voltar à Câmara Federal?
Rebecca – Serei obrigada a voltar, por conta da exigência de desincompatibilização para quem vai ser candidato na próxima eleição. Tenho muito apreço pelo mandato que o povo amazonense me concedeu e ele tem me dado muitas alegrias. Recentemente, o projeto de minha autoria que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a custear a reparação da mama das pessoas que passam por mastectomia (retirada do seio, geralmente para extirpar tumores cancerígenos) foi aprovado e sancionado pela presidente Dilma Rousseff. Virou Lei. Está em vigor. Agora, quando for feita a retirada da mama, ou os médicos farão a cirurgia de reconstrução na hora ou, se a paciente estiver muito debilitada, terão que marcar dia e hora para fazê-la. É uma grande conquista. Muitas mulheres perdem o companheiro e até a vontade de viver quando contraem câncer de mama e precisam retirar o seio. O aspecto estético influi muito no psicológico. Quero continuar aplicando minha capacidade de estudar e criar leis que preencham lacunas como essa.
Blog – A senhora vai casar?
Rebecca – (risos) Vou. Já andaram publicando, né? Eu e meu companheiro, pai de meus filhos, Stanley, sempre tivemos uma relação muito boa e aberta. Namoramos, quando adolescentes, fomos cada um viver a sua vida e depois nos reencontramos, adultos, para construir a relação atual. Sofremos, tivemos nossas crises e sobrevivemos como parceiros para, hoje, chegarmos ao amadurecimento que julgo necessário nos casais que se amam. Ele tem sido muito forte e muito companheiro. Vamos casar dia 28 de abril, um domingo, dia do meu aniversário, entre nossos amigos mais próximos e nossos familiares.
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