21/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Economia criativa nas escolas de samba de Manaus, um estudo de caso (parte II)

Publicado em 15 de fevereiro, 2013

Em dezembro de 2005 (no dia do aniversário do então governador) o Governo do Amazonas entregou às oito escolas do Grupo Especial oito barracões ou galpões, em uma área contígua ao Sambódromo. Neles estão inclusas estruturas para a feitura dos carros alegóricos, bem como acomodações aos trabalhadores. Em 2008 tiveram que ser realizadas adaptações no local com o intuito de melhorar a logística para a segurança: saída de emergência etc.

Com isso, teoricamente, as verbas estatais diminuiriam (em valores reais) para as escolas de samba já que, agora, com galpões localizados a poucos metros do local do desfile, os gastos com transporte de alegorias pelas ruas de Manaus terminariam. Hoje, sabe-se que estes galpões não atendem por completo os anseios técnicos das agremiações, porque pequenos para o mega-trabalho dos carros alegóricos.

Em 2009 o Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (SEC), destinou R$ 156.000,00 (cento e cinquenta e seis mil reais) para cada escola de samba do Grupo Especial e a Prefeitura de Manaus, R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Segundo Luiz Gilberto, presidente da G.R.C.E.S. A Grande Família, as verbas teriam que ser bem maiores, visto que o Carnaval de Manaus é grandioso e merece sim mais verbas estatais. Como diz SALES (2008, p.30): “O amazonense faz um ótimo carnaval, com os poucos recursos disponíveis. Diz-se que quando há a aridez, há mais lutas por melhorias”.

 

Prejuízos para a Economia criativa

Em 2009 a G.R.E.S. Reino Unido da Liberdade gastou (investiu) R$ 700.000,00 em seu desfile e auferiu recursos totais (do estado, da prefeitura e de doações) na ordem de R$ 620.000,00, obtendo com isso um prejuízo de R$ 80.000,000, segundo o seu diretor financeiro, à época, João Mota. O mesmo fato ocorreu com a G.R.C.E.S. A Grande Família, que, segundo seu presidente, Luiz Gilberto, terminou o carnaval devendo R$ 200.000,000.

A Economia criativa no processo histórico das Escolas de Samba de Manaus vêm, ao longo dos tempos, sofrendo mudanças qualitativas. Já não se assiste mais a desfiles repetitivos e, excetuando-se uma ou outra base de carro alegórico, fincada de chassi igual ao ano anterior, os artistas têm um maior espaço para exprimirem suas ideias. Como se sabe, as alegorias e os adereços são fatores preponderantes para o sucesso de um desfile.

Essa criatividade também, é claro, é transportada às alas das escolas, ao samba de enredo, a evolução e à harmonia, que delimita os parâmetros no desfile, não deixando surgir “buracos” durante o evento e o samba de enredo cantado, se possível, em uníssono, pela maior parte dos seus integrantes.

 

Tendências

A tendência das escolas de samba de Manaus, mesmo com vários problemas) é a da profissionalização total. Já não cabe espaço ao romantismo amador de décadas passadas. O público, exigente, cobra dos artistas uma maior criatividade. Acostumou-se aos grandes eventos e ao show business, como é feito nos Bois de Parintins, transmitido em Canal de TV Aberta para todo o Brasil, desde 2008. Manaus hoje é uma das cidades mais promissoras para investimentos, segundo os economistas e empreendedores. Os exemplos estão às escâncaras, sem se precisar recorrer a estimativas. Os fatos falam por si.

Uma sugestão às escolas de samba seria a de se criar mais maneiras de se arrecadar dinheiro. Uma delas é a administração de carnês com pagamentos mensais pelos sócios e também a novos interessados no crescimento das agremiações. O retorno aos que estivessem “em dias” seria o sorteio de diversos bens de uso. A contratação de uma empresa de marketing e outra captadora de recursos também seria uma iniciativa viável às escolas de samba.

Urge que os recursos financeiros aumentem e, se é difícil, independer-se das verbas estatais, que as mesmas sejam utilizadas com maior criatividade por partes das agremiações. O trabalho com o Turismo também pode ser melhor direcionado, divulgando-se desde a casa do turista (em seu estado, ou país), imagens, sons e atrativos diferenciados de um “Carnaval na Amazônia”. Para isso, a SEC poderia continuar investindo sim nos Bois de Parintins, no Festival de ópera e em tantos eventos, mas não olvidando o Carnaval das Escolas de Samba de Manaus, igualmente importantes na Economia da Cultura.

 

PS: Este texto faz parte da Monografia de minha graduação como Bacharel de Economia na UFAM, na década passada.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Daniel Sales

* Daniel Sales é pesquisador cultural.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.