Policiais da Secretária-Adjunta de Inteligência (Seai), da Secretaria Estadual de Segurança, descobriram, no curso da investigação do assassinato do engenheiro da Petrobras Ken Wheeler, 47, que ele buscava parceiros nas ruas e foi assim que encontrou o algoz. Ele conheceu Francivaldo da Silva Lima, 28, o “Caio”, preso na manhã desta quarta-feira sob a acusação de tê-lo matado a facadas, à noite, na Manaus Moderna, segundo o acusado. Wheeler desapareceu dia 28/11 e seu corpo foi encontrado dia 15/12, num matagal do bairro João Paulo II, no Puraquequara.

Francivaldo, o “Caio”, sabia que a vítima era soropositivo e matou para ficar com o carro e em busca de dinheiro. Os dois se conheceram numa abordagem noturna, na Manaus Moderna
“Quando a imprensa publica, no Sul/ Sudeste, que um engenheiro da Petrobras foi assassinado em Manaus parece uma falha gritante da segurança. Mas quando se descobre que ele buscava parceiros em lugares ermos, à noite, como aconteceu com o assassino, que não tinha sequer residência fixa, a história muda de figura”, disse o secretário-adjunto de Inteligência, Tomás Vasconcelos.
Francivaldo e Wheeler costumavam frequentar a lanchonete Habib’s, do bairro da Cachoeirinha, segundo a fonte policial, e depois namoravam nas ruas escuras do bairro, dentro do carro. Foi aí que o parceiro eventual do engenheiro decidiu tomar-lhe o carro e o dinheiro que portasse.
O acusado contou que foi para um dos encontros levando saco, lona e faca. Estava disposto a matar para roubar. O primeiro golpe que desferiu foi no olho. Em seguida foi à casa de um amigo, tomar banho para lavar o sangue, e seguiu para a casa da mãe, no bairro Grande Vitória. Depois, sem se preocupar em ocultar a placa do veículo, comprou droga numa boca de fumo. Alguém viu o carro e ligou para a polícia, oferecendo a ponta do novelo que levou à prisão.
Foram presos, além do acusado de matar o engenheiro, Manoel Pereira dos Santos, 27, Rubenilton Ângelo da Silva, 29, e Antônio Mota Neto, 38, acusados de envolvimento no desaparecimento do carro da vítima. O corpo ficou dentro do veículo entre 22h do dia 28/11 e as 10h do dia seguinte.
“Caio” contou que tanto ele quanto Wheeler deram nomes falsos, um para o outro. Ele só descobriu o nome verdadeiro e a profissão do parceiro quando o matou e olhou os documentos. Ao ser preso, o acusado portava relógio, carteira, chip do telefone celular e celular da vítima. Em seguida, o carro foi encontrado.
O algoz sabia tudo sobre a vítima. Wheeler era soropositivo de HIV, tinha relacionamento fixo há sete anos com cabeleireiro que tem salão no Parque 10, sofreu um AVC e estava fazendo academia para tentar se recuperar das sequelas. Policiais da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Delegacia Especializada em Ordem Pública e Social (DEOPS) e o Instituto Médico Legal, que identificou o corpo através da arcada dentária, participaram das investigações.
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