Ao iniciarmos projetos, normalmente elaboramos planos de ação e traçamos metas. Ao longo do caminho, os obstáculos surgem como é de se esperar, mas é necessário manter o norte, não ceder às distrações e a tudo que tenta nos desviar do objetivo, mantendo o foco. Aqui, enquadra-se a dieta que se inicia segunda-feira ou a carreira almejada. Tanto faz. O tamanho ou importância do projeto, só interessa a quem o idealiza, a menos que estejamos falando de projetos que venham a incidir, diretamente, sobre o destino de um povo. Aí, estes “deveriam” perder o cunho individual. Sabemos, no entanto, que nem sempre perdem.
Iniciada a jornada rumo às eleições, analisadas as condutas diferenciadas dos candidatos e suas respectivas campanhas, é visível que alguns perderam o norte. Embora o objetivo ainda seja lograr êxito no pleito eleitoral que conduzirá o vencedor ao cargo de prefeito, vencer a qualquer custo fez com que o desprezo ao senso crítico e percepção do eleitor, desse lugar a atitudes pouco louváveis, abusos que divergem da caminhada e do objetivo democráticos.
Passado o tempo, percebo que a vitimização do eleitor se esvaiu, dando lugar a um sentimento de reparação, de corrigir o que se sabe errado através do voto, contrariamente à certeza que teve a figura conhecida de Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira, na bem elaborada descrição de Dias Gomes, autor que antes mesmo de saber que as cuecas seriam utilizadas para alocar propina, soube dar o seu recado. Na ficção, Odorico se elegeu prefeito com a promessa de construir o cemitério de Sucupira. Aqui, os Odoricos da cena real estão perdendo espaço.
O eleitor de hoje já não se lamenta ou desacredita, mas reage. A história demonstra, comprova e constrói. Clóvis Rossi, articulista da Folha de São Paulo, publicou recentemente, em 25/09/2012, artigo intitulado “O crepúsculo dos políticos”, onde não só abordou a audaciosa proposta Espanhola de revolução com hora marcada, visando exigir a dissolução do Congresso daquele país, provocar a demissão do governo e do chefe de Estado (o rei), para abrir um período constituinte e convocar novas eleições, como também forneceu maiores informações sobre o crepúsculo dos políticos na Espanha, em Portugal e na França. Ressalta que, desde a crise instalada em 2010, 14 governos europeus foram derrubados nas urnas. Aduz que onde governava a esquerda, ganhou a direita e vice-versa, concluindo que a desconfiança do público, determina a vida curta ao império do Rei.
Como o crepúsculo não acontece só no velho mundo, ocorre também na linha do equador e com a proximidade do dia 7 de outubro, de certo ocorrerá em Manaus. Estou certa de que a voz do povo se fará ouvir, afinal, a liberdade de expressão dos candidatos e o livre convencimento do eleitor coexistem, mas nem tudo que é expressado tem o mesmo peso e merece a mesma credibilidade. As opiniões se formam, o convencimento se edifica a partir do que é externado e vem a resposta. Que venha então. Afinal, desde antes de Cristo, a voz do povo já era a voz de Deus e continua sendo.
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* Gabriela Barile Tavares é especialista em Direito Tributário e doutoranda em Direito do Trabalh...