A cheia recorde de 2012 no Amazonas, que levou o rio Negro a marca de 29,97 metros, ainda mostra o poder de destruição e insalubridade na comunidade da Sharp, localidade que surgiu de uma invasão há 17 anos no Distrito Industrial 2, na Zona Leste. Em visita ao local neste domingo (5/7), após receber o chamado de alguns comunitários, o candidato a prefeito de Manaus, Pauderney Avelino (Democratas), viu a situação precária onde vivem milhares de famílias, com residências de alvenaria e casas de madeira tipo palafitas, instaladas no meio de um grande esgoto a céu aberto, com cheiro insuportável.
No lugar não há escolas, delegacias, muito menos posto de saúde para atender à comunidade, onde vivem também muitos idosos e crianças. “É uma situação muito difícil a que encontramos aqui. A única solução que vejo é radical, mudar o bairro daqui. Desse jeito essas famílias não podem continuar, é desumano. Também se poderia fazer um Prosamim, já que tem o perfil para o programa”, falou o candidato, durante visita a várias casas no lugar.
Para ter água em casa, é preciso que cada família tenha uma bomba de sucção para conseguir se conectar a um encamento que a empresa concessionária deixou no lugar. “Porque a água não chega com força, não há pressão”, disse Raimundo Mendes.
A comunidade tem uma grande área construída num alagado, que é invadido pelas águas quando começa a cheia. Mas esse ano nem as casas mais afastadas, de alvenaria, escaparam da força da enchente. Na área alagada, as casas são ligadas por pontes de madeiras, e é preciso viver reforçando a estrutura para que as mesmas não desabem. “Hoje (domingo) passamos o dia reforçando a ponte para ela não cair. Essas pontes de madeira não dão condições de trânsito, nem mesmo de uma moto. Se tiver uma emergência aqui, a pessoa tem que sair carregada”, falou o industriário Antônio Lourenço, morador da Sharp.
Mas não é só infraestrutura e saneamento que preocupam os moradores da comunidade. A violência assusta no lugar e quem vive lá afirma que raramente vê uma viatura rondar a área. Os crimes mais frequentes são assaltos, estupros e assassinatos. A Sharp é considerada zona vermelha.
“Não tem ninguém que cuide da comunidade, que começou como uma invasão. Falta planejamento para dizer para onde Manaus vai crescer. Mas o fato é que essas famílias não podem continuar vivendo assim, no abandono do Poder Público”, falou o prefeiturável.
A comunidade da Sharp faz parte dos quase 50% de domicícios na capital que não têm saneamento básico de forma adequada (Censo IBGE 2010).
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