01/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Saúde: controle do colesterol deve começar cedo

Publicado em 26 de julho, 2012

Por CDN Comunicação Corporativa

Já passou o tempo em que o exame de colesterol era recomendado apenas para homens e mulheres com mais de 40 anos. Atualmente, com tantas mudanças na alimentação, o estresse cotidiano e a velha desculpa da falta de tempo para fazer atividade física, a preocupação com as taxas de colesterol tem chegado às pessoas das mais diversas idades, que desejam prevenir antes de remediar. Além desses fatores, existem os chamados não modificáveis, como a hereditariedade. Familiares com colesterol elevado podem ser um sinal de alerta para que os pais fiquem atentos à saúde dos filhos.

Segundo estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)1, 44% da população na faixa etária entre 2 e 9 anos já possui alterações nos níveis de colesterol. Segundo a cardiologista Tânia Martinez2, a incidência do colesterol elevado – também chamado de dislipidemia – é maior em crianças que possuem histórico familiar da doença. “São diversos os fatores que levam às pessoas a terem um aumento nas taxas de colesterol. No caso de crianças e jovens, o problema decorre de doenças genéticas, como a hipercolesterolemia familiar heterozigótica (HF) ou a hiperlipidemia familiar combinada (HFC)”, explica a especialista.

Para crianças de famílias que possuem colesterol alto ou outros fatores de risco para doenças cardiovasculares (pressão alta, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo), é mandatório que as taxas de colesterol sejam verificadas ainda na infância3. “Na ausência dessas características, os médicos recomendam que o paciente comece a fazer exames periódicos a partir dos 19 anos”, orienta Tânia.

Para uma parte das pessoas com colesterol elevado, ajustes na alimentação e uma rotina de exercícios são suficientes. Nos casos em que não se consegue baixar os níveis com mudanças no estilo de vida, é necessário o uso contínuo de tratamento medicamentoso e o cardiologista indicará o mais adequado ao perfil de cada paciente. As estatinas são um grupo de substâncias que bloqueiam a síntese de colesterol no fígado, tirando o mau colesterol de circulação. Dados da SBC indicam que seus benefícios, em termos de redução da incidência de doenças cardiovasculares, podem alcançar 44% de eficiência. Dentre as opções medicamentosas existentes está o Lípitor (atorvastatina), a estatina com alto número de evidências científicas, que comprovam seus efeitos na redução significativa do risco de eventos cardiovasculares e na diminuição em até 60% dos níveis do colesterol ruim.

Sobre o colesterol

O colesterol é um tipo de gordura cuja fabricação é originada 70% pelo próprio corpo e 30% pela dieta. Ele contribui para o bom funcionamento do organismo, atuando na produção de hormônios, vitamina D e ácidos biliares que auxiliam na digestão das gorduras. Mas, em excesso, ele pode se depositar nas paredes das artérias, podendo causar complicações graves, como a aterosclerose. Para se ter uma ideia da incidência da dislipidemia, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 77 milhões de brasileiros possuem o problema. Desse total, 42% são mulheres enquanto que 38% são homens4.

O controle das taxas de colesterol é fundamental para a prevenção de doenças cardiovasculares. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde5 indicam que essas enfermidades são responsáveis por 33% dos óbitos no Brasil. “Dependendo do estilo de vida do paciente e do conhecimento de seu histórico familiar, é sempre bom conversar com o médico e solicitar encaminhamento para o exame de colesterol em qualquer idade, desde a infância, passando pela adolescência, e na idade adulta”, recomenda Tânia Martinez. O colesterol elevado não apresenta sintomas, por isso os pacientes devem ficar atentos aos fatores de risco:

Fatores de risco

     Modificáveis    Não Modificáveis           “Novos”
Pressão arterial alta
  • Sexo (homens têm maior risco de apresentar colesterol elevado que as mulheres)

 

  Excesso de homocisteína (aminoácido presente na corrente sanguínea)
  Tabagismo Idade Inflamações
Inatividade física Hereditariedade Coagulação sanguínea anormal
Obesidade Raça ou etnia
  Uso de álcool
  Estresse

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências

1. Pesquisa da Unicamp que avaliou 1.937 habitantes de Campinas, São Paulo, entre 2000 e 2007.

2. Tânia Martinez é médica colaboradora do setor de lípides e livre docente pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.

3. IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2007)

4. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia/Funcor.

5. Baseados em estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2010.

 

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