Por CDN Comunicação Corporativa
Já passou o tempo em que o exame de colesterol era recomendado apenas para homens e mulheres com mais de 40 anos. Atualmente, com tantas mudanças na alimentação, o estresse cotidiano e a velha desculpa da falta de tempo para fazer atividade física, a preocupação com as taxas de colesterol tem chegado às pessoas das mais diversas idades, que desejam prevenir antes de remediar. Além desses fatores, existem os chamados não modificáveis, como a hereditariedade. Familiares com colesterol elevado podem ser um sinal de alerta para que os pais fiquem atentos à saúde dos filhos.
Segundo estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)1, 44% da população na faixa etária entre 2 e 9 anos já possui alterações nos níveis de colesterol. Segundo a cardiologista Tânia Martinez2, a incidência do colesterol elevado – também chamado de dislipidemia – é maior em crianças que possuem histórico familiar da doença. “São diversos os fatores que levam às pessoas a terem um aumento nas taxas de colesterol. No caso de crianças e jovens, o problema decorre de doenças genéticas, como a hipercolesterolemia familiar heterozigótica (HF) ou a hiperlipidemia familiar combinada (HFC)”, explica a especialista.
Para crianças de famílias que possuem colesterol alto ou outros fatores de risco para doenças cardiovasculares (pressão alta, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo), é mandatório que as taxas de colesterol sejam verificadas ainda na infância3. “Na ausência dessas características, os médicos recomendam que o paciente comece a fazer exames periódicos a partir dos 19 anos”, orienta Tânia.
Para uma parte das pessoas com colesterol elevado, ajustes na alimentação e uma rotina de exercícios são suficientes. Nos casos em que não se consegue baixar os níveis com mudanças no estilo de vida, é necessário o uso contínuo de tratamento medicamentoso e o cardiologista indicará o mais adequado ao perfil de cada paciente. As estatinas são um grupo de substâncias que bloqueiam a síntese de colesterol no fígado, tirando o mau colesterol de circulação. Dados da SBC indicam que seus benefícios, em termos de redução da incidência de doenças cardiovasculares, podem alcançar 44% de eficiência. Dentre as opções medicamentosas existentes está o Lípitor (atorvastatina), a estatina com alto número de evidências científicas, que comprovam seus efeitos na redução significativa do risco de eventos cardiovasculares e na diminuição em até 60% dos níveis do colesterol ruim.
Sobre o colesterol
O colesterol é um tipo de gordura cuja fabricação é originada 70% pelo próprio corpo e 30% pela dieta. Ele contribui para o bom funcionamento do organismo, atuando na produção de hormônios, vitamina D e ácidos biliares que auxiliam na digestão das gorduras. Mas, em excesso, ele pode se depositar nas paredes das artérias, podendo causar complicações graves, como a aterosclerose. Para se ter uma ideia da incidência da dislipidemia, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 77 milhões de brasileiros possuem o problema. Desse total, 42% são mulheres enquanto que 38% são homens4.
O controle das taxas de colesterol é fundamental para a prevenção de doenças cardiovasculares. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde5 indicam que essas enfermidades são responsáveis por 33% dos óbitos no Brasil. “Dependendo do estilo de vida do paciente e do conhecimento de seu histórico familiar, é sempre bom conversar com o médico e solicitar encaminhamento para o exame de colesterol em qualquer idade, desde a infância, passando pela adolescência, e na idade adulta”, recomenda Tânia Martinez. O colesterol elevado não apresenta sintomas, por isso os pacientes devem ficar atentos aos fatores de risco:
Fatores de risco
| Modificáveis | Não Modificáveis | “Novos” |
| Pressão arterial alta |
|
Excesso de homocisteína (aminoácido presente na corrente sanguínea) |
| Tabagismo | Idade | Inflamações |
| Inatividade física | Hereditariedade | Coagulação sanguínea anormal |
| Obesidade | Raça ou etnia | |
| Uso de álcool | ||
| Estresse |
Referências
1. Pesquisa da Unicamp que avaliou 1.937 habitantes de Campinas, São Paulo, entre 2000 e 2007.
2. Tânia Martinez é médica colaboradora do setor de lípides e livre docente pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
3. IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2007)
4. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia/Funcor.
5. Baseados em estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2010.
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