Parecia um cemitério de guerra. O improviso tomando conta. A dor se espalhando pelas alamedas. Os carros funerários se aglomerando. Os caixões colocados no meio da via, com os familiares tendo que esperar pela hora do sepultamento. Tudo porque a administração do cemitério Nossa Senhora Aparecida, mais conhecido como Parque Tarumã, marcou vários enterros para uma única quadra e provocou um “engarrafamento” que só fez aumentar a dor e o sofrimento dos parentes, ontem (10/07), sob um sol de 40 graus.
“Quem levou sombrinhas conseguia se proteger do sol. Algumas pessoas sentavam sobre os túmulos alheios. Muita gente, no meio da confusão, acabou perdendo o enterro do ente querido, inclusive eu”, disse uma testemunha. “Minha mãe, de 72 anos, está doente até agora. O normal é a gente jogar flores no túmulo e se despedir com calma. Lá foi tudo na correria. Foi desumano”, acrescenta.

Os caixões foram enfileirados na via, à espera dos coveiros, enquanto os carros funerarios iam chegando e enfileirando
O diretor do cemitério, Sidney Wanderley, reconheceu o erro. “O problema é que só temos 12 coveiros para 12 a 25 enterros por dia e geralmente no mesmo horário, depois das 17h. O certo seria 18 coveiros por dia. A gente escolhe uma quadra por dia para fazer os enterros para que eles possam fazer o trabalho”, disse. E a solução? “Vamos tentar colocar mais coveiros”.

Familias tiveram que esperar sentadas sobre túmulos alheios para esperar o momento do enterro de seu ente querido. Algumas acabaram perdendo o momento do sepultamento