O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu que lançaria candidato próprio, caso não conseguisse emplacar os nomes oferecidos como vice à chapa da deputada federal Rebecca Garcia (PP). Com o anúncio de que o vereador Marcel Alexandre (PMDB) é o candidato, logo surgiram boatos de que o deputado federal Francisco Praciano seria o candidato próprio. Ele nega: “Agora? Tô fora. Estou em Brasília e nem vou para a convenção”, disse.
Praciano fez um verdadeiro desabafo ao blog, no qual sequer poupou a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula, o governador Omar Aziz e o senador Eduardo Braga. “Eles são, em minha opinião, os piores políticos do Estado”. Sobrou também para os dirigentes locais do PT. “Soube que disseram para eles. ‘Vice tem que ter dinheiro ou voto. Qual é o vice de vocês?’. O PT está deixando espaço para que esses políticos governem o Amazonas por mais 20 anos”, afirma.
Veja a íntegra do desabafo de Francisco Praciano:
Blog – Estão correndo boatos de que, por não ter emplacado o vice da deputada Rebecca, o senhor será o candidato a prefeito pelo PT. É verdade?
Francisco Praciano – Eles andaram me ligando aqui. Estou em Brasília. Assim, no último momento, eu tô fora. Não tenho mais motivação. Nem mágoa. Isso não me abalou pessoalmente. Abalou a desesperança, a desmotivação. Já estou prevendo que vou ter problemas daqui a dois anos (quando termina seu mandato). Estou tão desmotivado que estou em Brasília e vou ficar em Brasília. Tirei isso (a candidatura) da minha pauta há dois meses.
Blog – Isso significa que o deputado Zé Ricardo, alinhado com o senhor, também não sai candidato?
Praciano – Acho que o Zé Ricardo deveria ser o candidato. É a forma menos vergonhosa para o PT. É um bom deputado, bem votado, sério, competente. Talvez não esteja no momento dele, mas acho que é bom candidato. Não tenho dúvida de que eu faria um papel mais competitivo, mas minha motivação não permite.
Blog – Qual é o maior problema para o senhor não aceitar a candidatura?
Praciano – Vou ser bem claro: não tenho nenhuma certeza de que Lula, Dilma, o pessoal da nacional me apoiem. Tenho até medo. A relação da nacional com o Omar e o Braga é muito forte. Só estou lembrando o que fizeram com a Marilene (Corrêa, ex-reitora da UEA). Ela era nossa candidata ao Senado e a Dilma e o Lula apareceram na TV defendendo o nome da Vanessa. É um partido muito dividido. O meu nome está sendo buscado neste momento porque os estrategistas do partido foram fracos. Eles achavam que bastava ter força interna. Quando foram, com pires na mão, para os demais partidos da base aliada, a base aliada perguntou: “Vice precisa ter dinheiro ou voto. Qual é o vice de vocês?” Ou seja, foram abandonados pelos que, na minha opinião, são os piores políticos do Estado. Nem esses políticos quiseram eles.
Blog – O PT perdeu o jogo do poder?
Praciano – O PT perdeu a capacidade de ver que é preciso buscar o poder. Ao não sair com candidato, o PT admite que esse grupo político vai governar por mais 20 anos. Amanhã, não tenho a menor dúvida, Dilma e Lula apoiam Braga para o Governo, com Omar para o Senado. O PT abre mão de sua capacidade de administrar a cidade e o Estado. Você pode ser aliado, base aliada, mas não precisa se submeter. O Braga é aliado há muito tempo, mas nunca apoiou o PT. Na última vez, sem discutir com um aliado forte, chamado PT, o Braga definiu o candidato a governador, que é o Omar, o vice, que é o Melo, ele próprio para o Senado e até os seus suplentes. Não ofereceu nem uma suplência ao PT. Por que o PT tinha que se submeter num momento desses?
Blog – Então quer dizer que não tem volta na decisão de não aceitar a candidatura?
Praciano – Não. Hoje, para assumir essa função, é só heroísmo. Não tenho vocação para herói. Minha bateria está toda voltada para o meu mandato. Vou cumpri-lo da melhor forma possível e nem sei se serei candidato a alguma coisa.
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